
A TERMODINÂMICA, A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA E O HIDROGÉNIO – Para tratar da transição energética convém saber de termodinâmica, cujas leis condicionam o que se pode ou não fazer, o custo energético a pagar e o ritmo das mudanças. A termodinâmica estuda as transformações da matéria e as conversões de umas formas de energia noutras, sendo essencial para a elaboração de propostas realistas de transição energética. A energia não se perde (1.º princípio) mas degrada-se de forma irreversível ao ser transformada (2.º princípio).
Por toda a Europa, incluindo Portugal onde queríamos liderar na dita transição energética, governantes ignorantessuportaram-se em powerpoints (que tudo permitem) para, de uma forma iluminada, desenharem estratégias irrealistas de transição energética. Isto é particularmente evidente com o hidrogénio verde em que, como refere o presidente da EDP, temos agora um vale de desilusões com projetos a não saírem do papel, outros a serem cancelados, e empresas a falirem. Conclui-se que os avultados subsídios não são suficientes para o tornar competitivo no mercado pois que os preços extremamente elevados levam a uma falta de procura pelo produto em setores difíceis de eletrificar, tais como a siderurgia e o cimento. Apenas cerca de 20% do hidrogénio verde previsto na União Europeia deverá vir a ser produzido… O projeto do avião a hidrogénio da Airbus, subsidiado pelo governo francês com €1,5 mil milhões, foi encerrado, a Hyvia, filial da Renault para os veículos utilitários a hidrogénio está em dificuldades e o Tribunal de Contas Europeu criticava o impasse na aventura do hidrogénio verde.
Por cá, fizemos com outros colegas um Manifesto a criticar o megalómano projeto de produção, em Sines, de hidrogénio verde para ser exportado por via marítima para os Países Baixos, pois a tecnologia estava imatura para grandes produções centralizadas e consequentes grandes transportes de energia. Neste contexto, também contestámos a fantasia de construir uma terceira interligação entre os gasodutos de Portugal e Espanha para exportar esse hidrogénio que se iria produzir em Sines para a Europa, alternativa à falhada exportação por via marítima para os Países Baixos, que o governo Costa queria desenvolver! Recomendámos começar-se por projetos de demonstração mais pequenos. Como resposta, um eletrizante (usando a expressão do Expresso) secretário de Estado brindou-nos com uma série de diatribes num webinar organizado pela Ordem dos Engenheiros com os lobistas do hidrogénio e o então primeiro-ministro Costa chamou-nos velhos do Restelo. Respondi em direto na SIC a esse modernaço de Benfica(bairro em que vivia) que eu era um velho de Cascais e não do Restelo. Depois o agora europeizado Costa foi inaugurar a Fusion Fuel Portugal, que iria produzir eletrolisadores, subsidiou-a em €5 milhões do PRR e disse que a reindustrialização de Portugal começava aí! Azar dos Távoras, a empresa já faliu! Assim acabou a reindustrialização promovida pelo governo Costa!

