LUÍS MIRA AMARAL

AS OPÇÕES REAIS NOS PROJETOS DE INVESTIMENTO E O NOVO AEROPORTO DE LISBOA

Hoje em dia, o ritmo das mudanças afeta todas as atividades económicas, aumentando o nível de volatilidade e o contexto de incerteza em que se tomam decisões de investimento. Neste enquadramento, uma análise estática dos investimentos torna‑se manifestamente insuficiente. A época em que se tomava uma decisão de investimento que não necessitava de ajustamentos ao longo da vida do projeto terminou. Durante o período de vida de um projeto haverá que fazer, fatal e inevitavelmente, novas opções de investimento, as chamadas Opções Reais: expansão, desinvestimento ou adiamento das decisões de investimento que tinham sido tomadas no instante inicial. Por isso, passou-se a incorporar crescentemente nas análises de investimento o estudo das Opções Reais que ensino aos engenheiros no programa “Gestão para Engenheiros” nas pós-graduações do IST. Essas Opções Reais são inspiradas nas Opções Financeiras dos mercados financeiros.

A decisão sobre o novo aeroporto de Lisboa vai ser tomada num contexto de grande incerteza sobre a evolução da aviação civil e do transporte aéreo. A pandemia, com as reuniões de negócios por videoconferência, veio alterar o mercado das viagens de negócios, e as tendências de descarbonização também vão impactar o tipo de aviões e o modo de viajar, influenciando o futuro da aviação comercial.

O projeto do novo aeroporto de Lisboa deve então ter “embutidas” Opções Reais no seu desenvolvimento, permitindo a flexibilidade necessária de acordo com a evolução da procura.

Este tipo de abordagem com Opções Reais poder-se-á aplicar às várias localizações possíveis, mas vamos, como exemplificação, aplicá-la apenas às duas alternativas que têm vindo a ser amplamente ventiladas: Montijo e Alcochete. É então óbvio que a solução Montijo, com uma nova pista, não incorpora nenhuma Opção Real, pois não permite nenhuma expansão posterior, ao passo que a solução Alcochete permite o exercício das Opções Reais, pois poder-se-á começar com uma única pista, aumentando-se depois a capacidade, se e quando for necessário, de acordo com a evolução da procura, tendo a solução Alcochete um evidente prémio em relação à solução Montijo. Não percebo os raciocínios que defendem começar pelo Montijo e, depois deste esgotado, passarmos então a Alcochete. Então, porque é que não se começa logo com um projeto pequeno em Alcochete, exercendo depois, quando e se necessária, a Opção Real da sua expansão, poupando o tempo e o dinheiro gastos numa etapa intermédia no Montijo?

Complementarmente, chamaria a atenção para os gravíssimos problemas ambientais da solução Montjo e para o facto de, em negociação com a Vinci/Ana, o dinheiro que esta iria alocar ao Montijo poder ser certamente aplicado em Alcochete ou a outra localização.

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