LUÍS MIRA AMARAL

O EMPOBRECIMENTO PORTUGUÊS – Portugal perdeu em termos económicos as duas primeiras décadas do século XXI, pois há 20 anos que a economia portuguesa não cresce. Somos um país em estado intermédio de desenvolvimento no contexto mundial, mantendo um modelo económico que infelizmente se aproxima dos países menos desenvolvidos em que o PIB ainda tem dependência significativa dos setores do Turismo, Comércio e Serviços de baixo valor acrescentado. Por outro lado, Portugal tem perdido atividade industrial em relação aos restantes países da União Europeia (UE) desde 2001. A produção industrial portuguesa, que representava 27% do PIB em 1980, contribui atualmente apenas 12% para o nosso Produto, o que compara com 19% na média dos 27 países da UE. 

A continuação deste modelo implica a manutenção de salários baixos, a atracão de imigrantes desqualificados e a permanente descida no ranking dos países europeus, até atingirmos a posição de país mais pobre da União Europeia. Nesta, Portugal passou, segundo dados da Pordata quanto ao PIB per capita expresso em paridades de poder de compra (ppc), da 15.ª posição no ano 2000 para a 19.ª em 2019, sendo ultrapassado por Malta, República Checa, Eslovénia, Estónia e Lituânia, registando no final deste período um PIB per capita em ppc de 24,4 mil euros, que compara com 31,1 mil euros registado na média da União Europeia. E no que toca aos rendimentos dos salários em ppc, salários a dividir pelo custo de vida, já só temos atrás de nós a Bulgária! No crescimento acumulado entre 2020 e 2022, ficaremos em penúltimo lugar entre os países da coesão, tendo o pico da recuperação só em 2022 em vez de 2021, ao contrário das principais economias. Continuará pois a nossa descida no ranking europeu. 

Habituámo-nos a guiar vendo a Grécia pelo retrovisor, mas esta com um grande primeiro-ministro vai-nos ultrapassar. O contraste nos Programas de Recuperação e Resiliência (PRR) é elucidativo. A equipa grega profissional é dirigida por um prémio Nobel da Economia, enquanto nós tivemos evidente amadorismo económico na visão estratégica do PRR. Há uma grande ambição grega na mobilização de todos os recursos, empréstimos inclusive, postos ao serviço das empresas privadas num esquema em cooperação com os bancos. Aqui jogámos à defesa nos empréstimos e entendemos que o Estado é que nos salva. 

É conhecida a dificuldade-armadilha que muitas economias têm para saírem desse estádio intermédio de desenvolvimento para um patamar superior. Para tal é preciso ter uma infraestrutura cultural que favoreça a economia social de mercado, a empresa privada, o empreendedorismo, a liberdade de iniciativa e a livre escolha. Portugal, com a ala social-democrata do PS marginalizada e a hegemonia da esquerda marxista no Estado e na sociedade, facto singular na Europa, não tem essa infraestrutura e não vai sair desta armadilha. Seremos pobres num bloco rico. O nosso problema não é de falta de dinheiro, é político! 

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