LUÍS MIRA AMARAL

PORTUGAL E A REINDUSTRIALIZAÇÃO1 – Portugal, economia em estádio de desenvolvimento intermédio. Portugal é um país em estado intermédio de desenvolvimento, mantendo um modelo económico que infelizmente se aproxima dos países menos desenvolvidos em que o PIB ainda tem dependência significativa dos setores do turismo, comércio e serviços de baixo valor acrescentado. E a indústria portuguesa encontra-se apertada (“stuck in the middle”, como dizia Porter em 1992) entre o modelo desses países cuja competitividade repousa nos salários baixos e o modelo dos países desenvolvidos ligado à economia do conhecimento (knowledge-based economy”). Importa mudar este modelo através dum processo de reindustrialização que não pode significar apenas investimento no que temos, mantendo as mesmas tecnologias e processos de fabrico, mas que comporta uma alteração significativa de processos em toda a cadeia de valor, com grande incorporação de inovação empresarial e de tecnologia. 

2- INVESTIGAÇÃO E INOVAÇÃO EMPRESARIAL – Quando se investiga, está-se a investir (gastar dinheiro) para criar conhecimento.Com o apoio dos fundos europeus, Portugal já deu passos significativos na investigação e desenvolvimento tecnológico, mas é fácil de perceber que se um país ficar nesta fase, o conhecimento não é injetado nas empresas e não há aproveitamento económico do conhecimento criado. Portugal tem então de avançar de forma decisiva na inovação empresarial para aderir ao modelo da economia do conhecimento, ou seja, tem de utilizar o conhecimento criado nas universidades, politécnicos e centros de investigação, geri-lo nas empresas (knowledge management), desencadeando assim uma estratégia de inovação empresarial que permitirá às nossas empresas a criação de valor em contexto de mudanças económicas e sociais, diferenciando-se da concorrência. 

Tudo isto implica o aprofundamento das ligações entre o Sistema Científico e Tecnológico Nacional e os meios empresariais, o que passa, entre outras coisas, pela maior integração de doutorados nas empresas e pela maior contribuição de quadros superiores empresariais para o ensino superior e universitário como professores convidados. Devemos ter, neste contexto, como grande objetivo nacional fazer a valorização económica da ciência e da tecnologia, transformando o produto da investigação científica e tecnológica em ações concretas de inovação empresarial de forma estruturada e persistente num horizonte de 10 anos. Só através desse modelo de economia do conhecimento conseguiremos fazer um upgrade significativo da natureza da atividade económica. 

Os processos de inovação empresarial têm necessariamente de incluir novas tecnologias, não sendo suficiente nesta fase de grandes transformações digitais e ecológicas ter processos de inovação acrescentada (incremental engineering) em que apenas se pretende fazer melhor, mas sim fazer diferente, o que implica processos de inovação radical. 

 

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