LUIS MIRA AMARAL

PAG 17_EGR7738AS NOVAS QUINTAS SOLARES NO ALENTEJO

Comecei no Governo o apoio às novas renováveis, quebrando o monopólio da EDP na produção da eletricidade e criando a Produção em Regime Especial (PRE) com preços fixados de venda da energia à rede. Depois o capitalismo de compadrio entre o lóbi eólico e os posteriores governos veio, ao abrigo desse regime e com preços elevadíssimos, criar o monstro elétrico. Portugal é o quinto país do mundo em potência eólica instalada por habitante! Manuel Pinho também se gabava de termos a maior fotovoltaica do mundo (com painéis chineses importados)! Publiquei então no Expresso “O Escaldão Solar”. Tal constitui um ótimo exemplo da nossa precipitação em investir precocemente em tecnologias ainda não maduras, com efeitos negativos na competitividade e sem qualquer vantagem para a nossa economia! Os países inteligentes, na nossa situação, esperariam pela maturidade da tecnologia para começar a investir. Acontece que a fotovoltaica teve posteriormente descidas de custos significativas, e graças à massificação de produção feita pelos chineses, pondo em causa a viabilidade de muitos produtores ocidentais de painéis fotovoltaicos, já será interessante para o autoconsumo em produção descentralizada. Mas à boleia disso e depois desses elevados excessos de potência renovável intermitente, anunciam-se agora grandiosos investimentos em fotovoltaicas no Alentejo. O argumento destes promotores é de que essa energia será exportada para a Alemanha, que bem precisa dela para substituir a energia nuclear, mas isso vai depender do reforço das interligações europeias para a levarmos até lá. Tal vai levar algum tempo e não deverão obviamente ser os nossos consumidores a pagar isso. Tais projetos, se avançarem já, só conseguirão ter financiamento bancário ao abrigo da venda garantida da produção no regime da PRE, ou seja os nossos consumidores a pagar uma energia que não necessitam… Se colocarmos mais potência renovável intermitente nesse regime, a dívida tarifária (soma dos défices anuais) vai explodir! Ela hoje está aparentemente controlada em 5 mil milhões de euros (por aumentos dos preços pagos pelos consumidores e não pelo corte dos custos de produção), mas em tal cenário e com os reforços da garantia de potência necessários como back-up às renováveis intermitentes e com a descontinuação das centrais a carvão, quem souber ler os relatórios da ERSE compreenderá a bomba relógio que aí vem!