
A ONDA LARANJA NAS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS
PSD, sozinho ou em coligação, foi o grande vencedor das eleições autárquicas, tendo mais votos, mais câmaras e a presidência nos cinco concelhos mais populosos do país (Lisboa, Porto, Sintra, Cascais e Gaia). Parabéns à dupla Montenegro-Hugo Soares e aos eleitos.
O PS susteve o desastre das legislativas e conquistou cidades importantes. Mas o PS continua a perder eleitorado na classe média urbana e suburbana e já tinhaperdido os jovens. Se o seu líder não se conseguir impor às alas esquerdista e costista, continuando a ser um partido ferozmente conservador, arrisca-se à irrelevância futura. O CDS teve um bom resultado, segurando as câmaras que já tinha. O BE, que ainda é maioritário nas nossas televisões e flutua na flotilha gazista, é já irrelevante a nível nacional apenas com 30 mil votos e zero de câmaras e de vereadores. O PCP perdeu Setúbal, Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém e Évora e confirmou o seu declinío estrutural, sempre a descer dos 11% na votação nacional das autárquicas de 2013 para os 5,74% de agora.
O Chega foi vítima da megalomania do seu líder que queria vencer em 30 câmaras, mas
só ganhou três! Sabíamos pela experiência de novos partidos, como PRD, BE e IL, o quão difícil é a implantação a nível local.
O Chega, que nas últimas legislativas teve 22,5% a nível nacional, teve agora apenas
11,85%, mas bem superior aos 4,16% das autárquicas de 2021, e ficou com 134 vereadores, tornando-se um partido importante para a governação local nos casos em que não há maiorias absolutas. E como os presidentes eleitos têm legitimidade própria, não dependendo dos líderes partidários, e vão ter que resolver os problemas, é evidente que as linhas vermelhas contra o Chega não vão funcionar!
Em Lisboa, o BE nada acrescentou ao PS, só diminuiu e os lisboetas devem ter-se
assustado com o wokismo da coligação…
No Porto, Pizarro falhou a presidência da câmara pela terceira vez e devia voltar à medicina pois dizem-me que é bom médico. Em Gaia, as pessoas ainda se lembravam
da obra do meu amigo Luís Filipe Menezes. Em Viseu, o PSD foi vítima da morte, no período Covid, do meu amigo Almeida Henriques, não tendo o regressado Fernando Ruas conseguido responder aos desafios dos novos tempos. Em Sintra, onde há 12 anos o aparelho do PSD tentou eleger um outro candidato contra Marco Almeida, fez-se
justiça. Marco Almeida ganhou agora, anos depois das eleições em que teria vencido se o PSD não tivesse feito na altura esse erro crasso. Em Coimbra, o incumbente José Manuel Silva, à frente duma coligação liderada pelo PSD, perdeu para a candidata do PS, Ana Abrunhosa. Esta, professora de Economia na Universidade de Coimbra, tinha sido presidente da CCDR do Centro, curiosamente nomeada por um Governo PSD e ministra da Coesão Territorial do Governo Costa, foi uma excelente aposta do PS.
Montenegro fez questão, na noite da vitória, de dizer que tinha ganho “à Cavaco”. Espera-se agora que transmita ao Governo um impulso reformador também ”à Cavaco”!

