LUÍS LOPES PEREIRA

OS DESAFIOS DO NOVO MINISTRO DA SAÚDE – O novo ministro da Saúde tem pela frente a difícil tarefa de definir os contornos do sistema de Saúde que impõe um grande pragmatismo de forma a confrontar a realidade em Portugal e o que muitos consideram o que ela deveria ser. O idealismo de um serviço público eficiente que dá resposta a todos os problemas dos doentes está patente em muitos portugueses independentemente da sua orientação política. Mas a realidade aponta já para sistemas de financiamento e prestação mistos onde parte é privada e outra parte pública.   

O financiamento público e o Serviço Nacional de Saúde encontram-se com muitos problemas desde os recursos que não chegam a tempo nem são suficientes para suprir as necessidades, até à motivação dos seus profissionais. Outros problemas agravam esta situação como a dificuldade em termos um mercado de trabalho aberto e verdadeiramente concorrencial e o excesso de burocracia e dependência da gestão hospitalar não somente do Ministério da Saúde como, e especialmente, do Ministério das Finanças. Por muito pequeno que seja o nosso país não podemos confundir Política e Gestão. Centralizar o SNS numa estrutura que não seja multicéfala pode ser uma boa ideia, mas, enquanto escrevo estas linhas, ainda não sei concretamente qual vai ser o job description do CEO do SNS. Pelo nome apontado para essa função e conhecendo e reconhecendo as suas capacidades de gestão, podemos esperar melhorias animadoras. Portugal precisa urgentemente de mudar a fotografia de ineficiência generalizada, desde a definição dos verdadeiros recursos necessários até à sua própria afetação que se resumem na incapacidade de inovação e no pior prazo de pagamentos da Europa, factos que afastam empresas internacionais de apostar no nosso país em produção e investigação e atrasam o SNS na corrida tecnológica. 

No financiamento privado continuamos com o dilema de uma ADSE ainda muito importante para o sistema e a necessidade de aumentar o investimento empresarial na saúde dos seus colaboradores, aceitando a evidência já antiga de que garantir a saúde dos trabalhadores significa melhorar a produtividade. Os seguros de saúde são certamente um bom investimento tanto para o empregador como para o empregado. Ao admitir que esta realidade faz parte do sistema e da solução para melhorarmos a saúde dos portugueses, o ministro poderá influenciar o Governo a concretizar políticas de incentivo aos seguros de saúde. Mais subsistemas como a ADSE ou o seu alargamento para uma base com escalação economicamente viável pode ser interessante para o Sistema de Saúde, no qual o ministro deverá estar focado, pois doravante teremos um gestor focado no SNS. 

Mais problemas estão a surgir como a inflação que aumenta custos e requer novas formas da contratação pública na saúde e a tormentosa transformação digital onde se recomendam instrumentos que acompanhem a velocidade da inovação. 

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