JÚLIO QUARESMA

UMA VIDA DEDICADA À ARTE – Responsável pelo obelisco que se encontra no Parque dos Poetas, em Oeiras, Júlio Quaresma é um arquiteto, artista plástico e crítico de arte cuja obra é marcada pelo exercício polifacetado dos seus interesses: a arquitetura, a escultura, a fotografia, o design e a moda. 

Júlio Quaresma nasceu em Angola, em 1958. Em 1979, já em Lisboa, fez o curso de Pintura e Desenho pela Ar.Co; em 1981, a licenciatura em Arquitetura pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa; e em 1983, a licenciatura em Cenografia do Curso Superior de Teatro no Conservatório Nacional de Lisboa. Em 1993, na Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa, concluiu, com distinção, o mestrado em Tecnologia da Arquitetura e Qualidade Ambiental, com a apresentação da tese “A Arquitectura do Afecto” e em 1994 a pós-graduação de “Reabilitação de Centros Urbanos” A.R.C.A./E.T.A.C., em Coimbra.  

Com experiência em projetos que atravessam fronteiras, destaque para a coordenação na Catedral de Muxima, o maior centro mariano em África – um projeto sustentável, único, em que a cobertura da igreja, em painéis solares, funciona como centro de energia da localidade. 

Em 1990, fundou o “Grupo Vértice” que lançou o prémio DESCOBRIR LISBOA 90 e em 1991, o grupo Visionista, tendo ainda feito parte do manifesto do “Visionismo”, que foi responsável pela primeira exposição visionista de artes plásticas no Convento do Beato, e pela exposição Mitho Logos na Jadite Galleries, Nova Iorque.  

No que à arte diz respeito, expôs individualmente em vários museus, nomeadamente no Boricua College, em Nova Iorque, e no IVAM – Institut Valencià D’Art Modern; no Museu Óscar Niemeyer – Curitiba, Brasil; bem como no Museu da Água, Lisboa.  

Em 2014, foi indigitado ministro da Solidariedade e Assuntos Sociais da Ordem Soberana de San Juan de Jerusalém, da qual é embaixador em Angola desde 2010; entre 2006 e 2013 foi presidente da Instituição de solidariedade social “SER+” – Grupo de Apoio a portadores de HIV e membro da direção da Cruz Vermelha – Núcleo do Estoril. Foi também coordenador da Galeria Lino António, em Lisboa. 

OBRAS EM DESTAQUE Das suas principais obras, destaque para a escultura Scars of Memory – uma denúncia à contribuição passiva de todos nos acidentes sociais e ambientais do mundo. Foi apresentada pela primeira vez, em 2011, em Ushuaia, na Bienal do Fim do Mundo dedicada ao Antropoceno. 

A Playing Equality é uma escultura composta por 24 cubos de 1×1 metros, executada para a apresentação das conferências sobre educação e combate à desigualdade. Foi exposta em Nova Iorque e fez parte da X Bienal de Havana, em Cuba. Pretendeu ser uma denúncia à dicotomia e hipocrisia que existe entre a teoria política e a realidade. Foi a primeira grande peça sobre os direitos humanos, exposta em Cuba. 

O projeto Mundo do Futebol foi o vencedor num concurso proposto pela Câmara Municipal de Oeiras e desenvolve-se em torno de algumas construções simbólicas que se desenham em torno da história e dos conceitos formais mais importantes do futebol e da imagética que isso proporciona ou induz. 

O Obelisco, patente no Parque dos Poetas, em Oeiras, é, talvez, uma das suas esculturas mais mediáticas e está, indelevelmente, ligada ao simbolismo que envolve Oeiras, os seus habitantes e a sua história. Simboliza a força, a resiliência, a resistência e a durabilidade.  

Na área da pintura, destaque para algumas peças integradas na exposição Banquetes Improváveis. Baseadas em frames de filmes onde o banquete é peça fundamental. Em cada imagem reinterpretada, foram substituídas as personagens originais por pessoas que, muito provavelmente, nunca se poderiam encontrar num jantar. 

As peças integradas na exposição Arqueologias Comestíveis pretendem dar uma outra dimensão a um género menor que eram as “naturezas-mortas” e, simultaneamente, refletir sobre as máscaras que usamos nesse tipo de convívio.  

Num diálogo entre a fotografia e a pintura, as peças desenvolvidas para a exposição Homem.com-se refletem a incomunicabilidade, a exclusão e a solidão.  

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