JORGE MADRUGO GARCIA

O PLACEMAKING E O PLACE BRANDING NA CONSTRUÇÃO DE LUGARES COM MAIS FUTURO! – Como criar novos lugares para o futuro através de novas dinâmicas que possam atrair turistas e aliar as comunidades residentes ao investimento externo? Este é desafio atual. 

Foi no Nordeste Invest, evento organizado pela ADIT – Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil, que pela primeira vez ouvi falar em Place Making. A partir do livro Place Making: Developing Town Centers, Main Streets, and Urban Villages, de Charles C. Bohl, formações, palestras, artigos publicados, contribuíram para aprofundar o tema. Trazer para a comunicação corporativa uma nova abordagem na criação de lugares, foi inspiração para comunicar a identidade única de novos destinos para viver, visitar e investir. Seja por atributos naturais ou pelasatividades que neles acontecem, esses destinos turísticos e imobiliários devem ter personalidade própria. Aexperiência turística, o sentimento de pertença a uma comunidade, a certeza no investimento, têm de ser exclusivasdaquele lugar.  

CRIAR LUGARES PARA O FUTURO – Se o Place Making tem a capacidade de ativar lugares e pessoas, o Place Branding contribuiu de forma positiva parareforçar a identidade desses lugares. Dá-lhes um propósito. Cria significado nas pessoas que deles usufruem. Como criar novos lugares para o futuro através de novas dinâmicas que possam atrair turistas e aliar as comunidades residentes ao investimento externo? Este é desafio atual. 

Os primeiros sinais de que se não se devem abandonar durante décadas as políticas públicas de habitação, para no facilitismo culpar o alojamento turístico e os promotores imobiliários pela escalada de preços e a gentrificação dos espaços, foram visíveis após um período pandémico sem comparáveis na nossa história moderna. A consequente inflação e o conflito no Leste europeu não trouxeram a almejada correção de preços no mercado imobiliário. As cidades parecem assim afastar-se do seu real propósito com os centros históricos a perderem residentes e os espaços a procurar identidade. Entende-se, agora, que existem fortes alicerces na proteção dos atuais valores de mercado que dia após dia atingem máximos históricos e sobre os quais a procura internacional tem sido determinante.  

A conjugação dos fatores descritos trouxe alterações e restrições territoriais na principal medida de captação de investimento externo, os golden visa. Gerou-se um debate intenso sobre o tema sem que as pessoas e os espaços tivessem uma posição central. Colocou-se em causa a continuidade de um modelo lucrativo para o Estado português, sendo inquestionável o seu valor enquanto porta-estandarte do destino Portugal no mundo.  

INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO – Na tentativa de condicionar o investimento via aquisição de ativos residenciais em Lisboa, no Porto e em grande parte do litoral para assim controlar os preços, o Governo lançou uma medida de contenção e o mercado transformou a mesma num instrumento de descentralização ao dispor das autarquias, municípios e freguesias do interior do país,que assim passam a estar no radar do investimento imobiliário. Como tal, despertam novas oportunidades para repensar os espaços públicos, os equipamentos e a reabilitação urbana à medida que novas geografias descobremas vantagens dos territórios do interior. Assistimos a uma mudança rápida no comportamento da procura neste “mercado de passaportes” cuja obtenção da autorização de residência tem por base a “compra de uma casa”.  

O processo de decisão está cada vez mais competitivo. Assenta numa oferta de qualidade, de tendência crescente e com tickets mais baixos a partir de 280 mil euros. Competição motivada pela forte procura que convida os promotores a deslocalizarem as suas estratégias de investimento, repensarem as suas promoções e a adquiriremespaços devolutos há várias décadas. No imediato estimam-se duas novas grandes vagas de investimento imobiliário residencial:  

– Os norte-americanos, que agora lideram a lista de candidatos ao “visto gold” para os quais “Portugal é uma pequena Florida” com curtas distâncias entre cidades bem interligadas que se percorrem a pé e repletas de riqueza patrimonial, ambiental e cultural.  

– Os brasileiros, pela insegurança pública e a instabilidade política que se perspetiva e cujo padrão e exigência já está definido – já descobriram Portugal e Portugal é seguro. 

 NOVAS SOLUÇÕES RESIDENCIAIS – A pressão que se faz sentir sobre a oferta impacta também o mercado interno. Os portugueses também estão a seratraídos por novas soluções residenciais na vertente de primeira habitação, ou seja, quando se consegue comprar mais área e melhores acabamentos numa zona mais distante dos principais centros urbanos, ou na vertente segunda habitação com o progressivo aumento de soluções alternativas à tradicional oferta no Algarve. Temos o exemplo daComporta, onde o Place Branding se tem afirmado na construção de um destino de excelência que vai além de umdestino de praia e tem apresentado produtos inovadores, autênticos e sustentáveis a par de uma comunicação direcionada para a vida em comunidade – buy local, eat local, be a local. 

Nas grandes cidades sentem-se as dores de crescimento, pelo que se procura suprir necessidades habitacionais imediatas, por vezes sem tempo para ter em conta a planificação de espaço, o impacto na vida comunitária, a melhorfruição de espaços verdes e otimização das áreas de lazer e desporto. A pressão urbanística motivada por uma procura largamente superior à oferta e consequente escalada de preços abre espaço à promoção de novos destinos, a menos de 60 minutos da capital, cada vez mais procurados por famílias portuguesas. Esta é uma grandeoportunidade para colocar os conceitos de Placemaking e Place Branding ao serviço dos lugares com futuro e devolver às comunidades espaços de pertença, troca e interação entre pessoas. Só desta forma conseguimos permanecer genuínos! 

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