JORGE GARCIA

CONSTRUIR PONTES PARA O FUTURO POR UMA ECONOMIA DE MARCAS DE VALOR ACRESCENTADO – Aumentar o valor percecionado dos produtos que produzimos e exportamos, dos serviços que prestamos, é a missão para Portugal. “Marcas por Portugal” é um movimento que agrupa empresários e profissionais de vários setores de atividade, que se define como “make thank”. Mais do que orientar ações em torno de um desafio, é preciso agir.

Uma marca é a crença na perenidade do que somos e do que criamos. Criar valor, inovar, para além do produto que produzimos e do serviço que prestamos. As marcas portuguesas têm de ambicionar ir além dos limites do território onde nasceram, assumindo a ambição de se posicionarem em mercados globalizados. As marcas de empresas nacionais, a marca Portugal, devem refletir o orgulho de empresários e trabalhadores no valor da nossa história e cultura. Temos condições intrínsecas e qualificação para afirmarmos a riqueza da nossa singularidade, exclusividade e genuinidade. Portugal é marca de futuro, umbrella de todas as marcas nacionais. O futuro passa pela valorização do que produzimos e dos serviços que prestamos, traduzida em competitividade pela qualidade percecionada por consumidores globais.

O reforço da nossa competitividade passa pela renovação estratégica das nossas empresas, assente na inovação, marca e qualidade. Só assim será possível sairmos da armadilha do “bom e barato” e entrarmos num ciclo de afirmação da nossa criatividade e capacidade de trabalho, fontes de vantagem competitiva. Enquanto operadores do mercado imobiliário, esta missão passa por atrair cidadãos qualificados de outros países para virem estudar, trabalhar, viver e investir em Portugal.

Ciclos de contração económica – Desde 1980, a economia portuguesa passou por cinco ciclos de contração económica. Este é seguramente o mais desafiante. Se os “choques petrolíferos” foram as principais causas externas das recessões ocorridas nas décadas de 1980 e 1990, a partir da primeira década do século XXI, causas internas foram determinantes. Se em 2010-2012, a crise do subprime nos EUA e a decorrente crise do sistema bancário à escala global teve impactos negativos na economia europeia e particularmente nas economias dos países periféricos, em 2002-2003 a crise portuguesa foi em contraciclo com os seus principais parceiros europeus e comerciais. Os efeitos da última recessão “pré-Covid” foram significativos. A retoma da economia portuguesa iniciada em 2014 foi lenta, mas consolidada e só em 2018 superou definitivamente os efeitos recessivos da crise enfrentada, tendo em 2019 atingido o primeiro excedente orçamental da sua história democrática.

Aposta na competitividade – Perante o maior desafio das últimas décadas, a capacidade concorrencial de Portugal irá depender da posição competitiva das suas empresas nos respetivos setores de atividade, mas sobretudo da posição competitiva das suas marcas que agreguem valor à sua produção e oferta de serviços. No turismo e no imobiliário, Portugal detém vantagens competitivas face a outros destinos concorrentes. O desenvolvimento económico de Portugal dependerá da penetração em novos clusters com maior valor acrescentado, mas seguramente também do reforço das condições de competitividade dos clusters tradicionais com potencial de crescimento. Por exemplo, em clusters industriais mais competitivos, como os moldes para o setor automóvel, a cortiça e a pasta de papel, temos recentes exemplos de apostas em modelos de produção e consumo mais sustentáveis e de elevado valor acrescentado, reforçando a sua competitividade internacional através do desenvolvimento de tecnologias e práticas no âmbito da indústria 4.0. Portugal tem de gerar marca económica que atraia talentos, investimento mais qualificado, incremente exportações e terá de prosseguir na afirmação da sua marca turística, aquela que hoje detém maior notoriedade à escala global. Portugal mantém a autenticidade das suas qualidades intrínsecas e continua a ser um destino turístico inclusivo e seguro.

Motores de recuperação – Tal como na anterior crise, o turismo será um dos principais motores da recuperação económica, pela sua transversalidade em muitos outros setores da economia. O turismo terá um papel determinante na atratividade de Portugal. A experimentação turística é o primeiro passo para a escolha de Portugal como destino de investimento imobiliário e de novos residentes. As universidades e hubs de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico poderão ter um papel decisivo na captação e retenção de mais talento. Se o futuro de muitas empresas do setor turístico passar pela capitalização com entrada de novos investidores que assegurem sustentabilidade financeira, capacitação e escala, Portugal terá de apostar na diferenciação pela qualificação e sustentabilidade ambiental da sua oferta turística.

No setor da consultoria imobiliária, onde nos posicionamos, o caminho da digitalização dos processos operacionais, das parcerias internacionais, da utilização de tecnologia que automatize a análise de informação proveniente de diferentes fontes, de CRM para a gestão do relacionamento com os clientes internacionais, de ferramentas de análise preditiva, das visitas virtuais aos imóveis, foi acelerado em tempos de confinamento. Portugal poderá beneficiar do alinhamento dos operadores locais com marcas globais e as suas redes de comunicação, networking e distribuição de produto imobiliário. A nossa afirmação no mundo resultou da navegação, a marca Portugal é a nau do futuro.

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