ISABEL MEIRELLES

AS REDES SOCIAIS E A SUA INFLUÊNCIA NAS ELEIÇÕES

A influência das redes sociais nas eleições dos países é um tema muito atual, embora complexo, que envolve diversos fatores, como o uso de dados pessoais, a disseminação de informações falsas ou manipuladas, a mobilização e a participação política dos cidadãos, entre outros, que podem ser usados tanto para informar e esclarecer os eleitores, comopara desinformar, polarizar e manipular os votos.

Em alguns países, as redes sociais têm influenciado as eleições de diferentes formas. Caso emblemático são os Estados Unidos, em que estas foram usadas para interferir nas eleições de 2016, através de uma campanha de desinformação e propaganda, coordenada pela Rússia, que visava favorecer Donald Trump e prejudicar Hillary Clinton, aliás com muito êxito, como se viu pelos resultados.

Esta interferência e outras deram origem ao escândalo conhecido como Cambridge Analytica, que teve o Facebook como rede social interveniente, com a revelação de que “as informações de mais de 50 milhões de pessoas foram utilizadas sem consentimento delas, pela empresa americana com o mesmo nome, para fazer propaganda política.

Os dados vendidos teriam sido usados para catalogar o perfil das pessoas e, então, direcionar, de forma mais personalizada, materiais pró-Trump e mensagens contrárias à adversária, a democrata Hillary Clinton. A base de dados recolhida foi uma ferramenta poderosa porque permitiu que a campanha identificasse os indecisos e direcionasse as mensagens com probabilidade de convencê-los. Fornecer a informação certa à pessoa certa, no momento certo,é mais importante do que nunca, diz a bíblia do marketing eleitoral.

RECOLHA DE INFORMAÇÕES

A Cambridge Analytica é uma empresa de análise de dados que trabalhou com a equipa responsável pela campanha do republicano Donald Trump nas eleições de 2016, nos Estados Unidos, presidida, à época, por Steve Bannon, então principal assessor de Trump. O esquema começou em 2014, dois anos antes da eleição americana de 2016 e três anos antes do Brexit. As informações dos utilizadores do Facebook foram coligidas por um aplicativo chamado thisisyourdigitallife (esta é a sua vida digital, em português) que pagou, a centenas de milhares de utilizadores, pequenas quantias, para que eles fizessem um teste de personalidade e concordassem em ter os seus dados coligidos para uso académico.

A questão é que aqueles que participaram no teste acabaram por entregar, sem disso terem conhecimento, não apenas as suas informações, mas tambémos dados referentes a todos os amigos do perfil, dados esses que foram usados para criar um sistema que permitiu predizer e influenciar as escolhas dos eleitores nas urnas.

Na Europa, esta empresa foi contratada pelo grupo que promovia o Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia. “No Brasil, as redes sociais tiveram grande influência nas eleições de 2022, que foram marcadas pela disputa entre Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) para a presidência da República.”

“As plataformas digitais foram nesta campanha usadas, pelos candidatos e pelos eleitores, para divulgar propostas, criticar adversários, mobilizar apoiantes e denunciar irregularidades. Segundo uma pesquisa do Instituto DataSenado, quase metade dos entrevistados brasileiros, cerca de 45%, afirmaram ter decidido o voto levando em consideração as informações vistas nas redes sociais.”

CONQUISTA DO ELEITORADO

As redes sociais tornaram-se grandes aliadas para a conquista do eleitorado, tornando cada vez maior o destaque do marketing digital nas campanhas eleitorais.

Trazer o marketing político para as redes sociais tem o poder de aproximar e criar um relacionamento mais íntimo entre o candidato e o eleitor, utilizando um canal de comunicação mais rápido, eficiente, de fácil acesso a todos e com baixo custo, que alcança milhares de pessoas e que servirá para o candidato defender as suas ideias e conversar com os seus eleitores e vice-versa.

Porém, uma outra problemática surgiu com o crescimento exponencial e expressivo da influência das redes sociais que são as fake news, notícias falsas disseminadas nas redes, capazes de enganar e influenciar um número grande de internautas. Considera-se hoje que o WhatsApp deve ser ainda amais problemática das redes sociais quando se fala em desinformação. Com efeito, quando as mensagens circulam diretamente entre pessoas, e não num ciberespaço público, não existe um regulador dessas mensagens que possa classificar o que é verdadeiro ou não.

Em suma, o candidato que não estiver preparado para dialogar nas redes sociais, terá sérios problemas de aceitação com uma comunidade que cresce diariamente, com milhões de utilizadores e que demonstra que os mediasociais terão alguma, ou mesmo muita, influência na escolha de um candidato eleitoral.

Estudo que resta fazer é saber igualmente qual a influência das redes sociais nos eleitores e eleições em Portugal. Talvez brevemente tenhamos conclusões relativas às eleições de 2024.

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