
A GUERRA
Desde há 70 anos que os povos europeus vivem sem guerras, depois de duas guerras com origem no continente europeu e que tiveram dimensão mundial. É em paz que temos vivido, sem memórias de guerras e quase sempre certos de que tal não voltará a acontecer.
Tal como a liberdade, também a PAZ nunca está garantida e deve exigir de nós uma atitude de forte repúdio, apostando na diplomacia através de quadros altamente preparados e com capacidade de intervenção em qualquer conflito com vista a fazer terminar ou a evitar a explosão da guerra ou de qualquer outra forma de confronto entre povos ou grupos desavindos.
A acelerada evolução social e tecnológica verificada sobretudo a Ocidente desde meados do século XIX, transformando as guerras em aparentes combates televisivos onde os danos parece quase não existirem a não ser nas infraestruturas que permitem a nossa moderna existência, não podem fazer esquecer as “velhas guerras” que, sem o lado espetaculare visível, fizeram morrer ou tornar inválidas milhões de pessoas das formas mais violentas que se poderá imaginar.Estas são as chamadas guerras pré-modernas onde os poderes à altura imperiais disputavam os seus interesses e territórios através dos seus homens-de-armas.
Exemplos serão as guerras coloniais, principalmente com o fim de alargar territórios e subjugar povos, envolvendo os exércitos e as armas de países como a Inglaterra, a França e Portugal. As guerras napoleónicas, bem como as civiscom palco na América, Itália e nações germânicas.
As guerras modernas
A guerra civil americana (1861-1865) bem como a guerra da Crimeia (1853-1856) tiveram a originalidade de começar a entrar no túnel das guerras modernas, através da utilização do caminho de ferro para transporte das tropas, o uso pela primeira vez de trincheiras e cargas de infantaria e cavalaria, com o suporte de fogo de artilharia. Foi também nestas guerras que, para além dos sempre usados navios de madeira, começaram a surgir as novidades tecnológica à altura do ferro e do vapor.
Aconteceu depois aquela que é considerada a primeira “moderna” (1870) e que foi a guerra franco-prussiana. Nesta guerra, surgiu a artilharia “invisível” ou de longo alcance por estar fora da visão direta dos artilheiros, meios de observação aérea através de balões e estratégias de ação rápida, dirigidas aos centros de poder do “inimigo”.
Refiro ainda a guerra europeia de 1914-18, denominada como a “guerra total”, dotada de artilharia de grande potência com efeitos dramáticos e de meios que vieram a ser desenvolvidos e ainda hoje usados, como os bombardeamentos aéreos, as metralhadoras colocadas nas trincheiras e tantos outros mecanismos de combate.
E tantas outras guerras se seguiram, com especial relevo para as mundiais, as que envolveram instrumentos de guerra atómica e as novas guerras, que cada vez mais se resumem à tecnologia e à sua reprodução nos meios de comunicação social.
Tempos atuais
A título de exemplo e produto de evolução da guerra, os conflitos hoje estão transformados em operações tecnológicas muito sofisticadas, como a guerra cibernética, armas de precisão e manipulação de operações sem contacto e focadas na informação.
Depois da “guerra fria” (1947-1991), vivemos hoje a “guerra híbrida”. E ela está presente em todos os conflitos, com um grau superior naqueles que contam com a intervenção de grandes potências. É o caso da guerra que agora acontece no Médio Oriente, onde grandes potências mundiais se digladiam de uma forma brutal e a que todos os dias temos acesso através da escrita e da imagem.
Vivemos no século XXI, o que nos dá a obrigação de substituir a guerra pela diplomacia. Contudo, o que vemos é o recrudescer da violência e da guerra. Temos todos a obrigação de refletir acerca do que está a acontecer no Médio Oriente, na Ucrânia e em vários outros pontos do mundo e exigir aos responsáveis políticos mais maturidade, mais conhecimento da história, mais sensibilidade, mais respeito pelo direito à vida, de modo a que a PAZ prevaleça.

