FERNANDO LEAL DA COSTA

4 de Fevereiro de 2020

A VIOLÊNCIA – Não faltou quem se tenha levantado contra o crime abjeto que foi o assassínio de um jovem negro em Trás-os-Montes. Tiveram razão. Todavia, muitos desses não terão reparado no igualmente abjeto e criminoso assassínio de um jovem branco, ao que parece cometido por três negros, em Lisboa. A questão rapidamente se tornou numa discussão sobre racismo e suas adjacências. A verdade é que uma vida humana não tem cor. Dois jovens morreram em consequência de violência física. É fundamental que a violência seja erradicada da nossa sociedade e não é preciso que haja racismo para que os crimes de sangue sejam graves. A morte de um asiático não é mais, nem menos, grave do que a de um europeu ou africano. Basta de agressões e de mortes, sejam elas no seio da família ou no meio das ruas. O alvíssimo tuga que mata a mulher à pancada não é menos criminoso do que o meliante que esfaqueia num roubo. Tal como não se pode falar com ligeireza da violência exercida sobre pessoas que estão no exercício da sua profissão, sejam médicos, enfermeiros, polícias, bombeiros ou, porque não, juízes. O que não for devidamente colmatado na origem tende a escalar e, quem sabe, um dia teremos políticos agredidos, batidos ou mortos. Não, não é ficção, nem ameaça, é prevenção.  

Concordemos que há mais agressão verbal do que física. Mas a verdade é que dos insultos ao árbitro, matéria que já é parte integrante do edificante e educativo espectáculo desportivo, passa-se facilmente à agressão entre adeptos, as tribos urbanas mais facilmente identificáveis. Como não, num mundo em que há sempre bons e maus? Trocam-se mísseis e o espetáculo termina com um avião civil abatido e 176 inocentes mortos. Pode ser “dano colateral” mas é assassínio, tal como qualquer homicídio será sempre homicídio, qualquer que seja a justificação, motivação ou base legal.  

O estereótipo do criminoso que só pode ser cigano, preto, árabe, brasileiro, napolitano ou drogado, está obviamente errado. O estigma combate-se com justiça rápida e igual para todos. Identifiquem-se, isolem-se e punam-se os indivíduos, não a sua cultura ou origem. Separe-se a pessoa do grupo a que grosseiramente, porque partilha o “aspeto”, tendencialmente se colam os praticantes de crimes. Evite-se a generalização e haja bom senso em todas as análises. Ninguém será menos ou mais criminoso por força de estar ligado a uma qualquer etnia ou ser mais louro ou moreno.  

Todos temos de ser julgados a partir de factos demonstráveis, sem preconceitos, com a devida ponderação do contexto e eventuais atenuantes. E se digo “julgados” é porque me refiro ao que se deve passar em tribunal, o local onde os julgamentos devem ser feitos e a justiça legalmente aplicada. Como em quase todo o lado e desde tempos imemoriais, o condenado na praça pública nunca mais será ilibado. Mas a “praça”, quase sempre aquela que a comunicação social cria na ânsia de noticiar, nunca tem a informação que lhe permita julgar com seriedade e ponderação. Mas, se a segurança não existir e a verdadeira justiça não funcionar, ninguém se admire que haja mais gente a dizer que já chega. O assunto é muito sério. Eliminar a dinamite é melhor do que remover o rastilho. 



Categoria: Opinião

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