CARLOS ZORRINHO

8 de Abril de 2020

APANHADOS PELO CLIMA – Nos meus tempos de juventude recordo-me ser muito normal dizer de algumas pessoas que tinham pontualmente ou sistematicamente comportamentos mais ou menos estranhos, que estavam “apanhados pelo clima”. Esta expressão pode ter hoje uma aplicação mais geral. Com o aquecimento climático verificado e as projeções do seu impacto, se não forem tomadas as medidas adequadas para o mitigar, todos já estamos e poderemos estar cada vez mais apanhados pelo clima, sofrendo as consequências que as alterações climáticas têm na ocorrência de catástrofes e outros fenómenos extremos. Foi para garantir que a União Europeia cumpre a sua parte do Acordo de Paris e atinge a neutralidade carbónica até 2050 que a Comissão Europeia adotou dia 4 de março a nova Lei do Clima. De acordo com os procedimentos institucionais europeus, a lei, que é um pilar central do pacto ecológico europeu, terá agora que ser apreciada e aprovada pelo Parlamento e pelo Conselho, onde sofrerá normais adaptações e clarificações. Um dos riscos associados às ambiciosas metas que a União Europeia tem vindo a adotar no domínio do combate ao aquecimento climático é a monitorização dos resultados obtidos e a sincronização de esforços entre os Estados-membros. Por isso o reforço da capacidade de monitorização e de emissão de recomendações específicas por parte da União Europeia no que diz respeito à concretização das políticas de descarbonização é uma das principais mais-valias da nova lei. 

A aceleração científica e tecnológica permitirá certamente ir encontrando novos modelos e processos para acelerar a descarbonização e para não dar a ninguém motivos para ficar para trás. O fundo de transição justa dará também o seu contributo para apoiar as transformações necessárias nos processos de produção de energia e de organização industrial, mas a sua aplicação deve ser ao mesmo tempo um laboratório de inovação e de boas práticas que poderão ser replicadas globalmente. Frans Timmermans, vice-presidente responsável pelo pacto ecológico, assumiu que “a Lei do Clima é igualmente uma mensagem para os nossos parceiros internacionais no sentido de que este é o ano para, juntos, aumentarmos a ambição global, nos objetivos comuns do Acordo de Paris”.   

Estamos por isso num momento crucial para travar o aquecimento climático, ainda que, no momento em que escrevo, sejam outras as razões que toldam o “clima” global, face à propagação exponencial do COVID19. Espero que entre o momento em que escrevo e o momento em que este texto irá chegar aos leitores estejamos menos “apanhados pelo clima” virulento que nos ameaça.  

   

PS: Foi num “bom clima” que a FRONTLINE nasceu há 13 anos. Tenho tido a honra de ser seu colaborador quase desde o início e de poder apreciar a qualidade e o profissionalismo com que tem sido produzida ao longo dos anos. Para alguns o 13 é um número de azar. Eu sempre gostei do 13 e faço votos que o 13.º aniversário da FRONTLINE seja um momento auspicioso numa caminhada cheia de sucessos. 



Categoria: Opinião

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