CARLOS CARREIRAS

 

CRIAR PROSPERIDADE NO PÓS-PANDEMIA. Passou um ano desde que a OMS decretou a pandemia. Estávamos em Março de 2020. Percebi, desde o primeiro momento, que não estávamos apenas a tratar de uma pandemia – na verdade eram três.  

 Para além da crise de saúde pública, intuí que na sua cauda se formariam também uma pandemia económica – por via da destruição do tecido produtivo, dos lockdowns forçados no comércio e restauração, pela disrupção nas cadeias de abastecimento globais e no fechamento ao comércio internacional – e outra pandemia de ordem social (desemprego, pobreza, fome). Cascais ficou reconhecido a nível nacional e até internacional pelo violento combate à crise de saúde pública – com programas de testagem massivos, distribuição gratuita de máscaras, construção de centros de vacinação, etc. Cascais é a autarquia do país que mais gasta no combate à Covid-19. E, para memória futura, quero deixar absolutamente claro que, qualquer que seja o curso desta crise, não regatearemos um só euro na proteção, defesa e equipamento dos nossos concidadãos. 

 Relançamento da economia 

Mas a pandemia é o curto prazo. É a história recente. Não podemos deixar que escreva o nosso futuro. Precisamente por essa razão que desde março do ano passado aceleramos o nosso pacote de relançamento da economia. Não ficámos de braços cruzados à mercê da bazuca, de fundos europeus ou da sorte. Sempre tivemos a consciência clara de que só mantendo a nossa autonomia estratégica poderíamos conquistar um novo ciclo de desenvolvimento que nos permita construir uma sociedade melhor no pós-covid. Essa autonomia não nasce apenas da vontade. Está, evidentemente, fundada na nossa competente gestão financeira.  A crise de saúde pública não mudou o nosso foco: queremos que Cascais seja o melhor lugar para viver um dia, uma semana ou uma vida inteira. Para concretizar essa ambição, estamos apoiados num pacote de investimento público e privado sem precedentes no nosso concelho. Novas escolas secundárias, novos centros de saúde, renovação de rede viária, proteção do património, instalação de novos polos empresariais e universitários. Com contas certas, vontade política e prioridades afinadas, Cascais criou as condições para sair mais rapidamente da crise e afirmar a sua competitividade no mundo pós-covid. Estão lançadas as sementes para uma década de desenvolvimento sustentável no concelho de Cascais. Porém, não esquecemos aqueles que carecem de ajuda no curtíssimo prazo. Refiro-me ao comércio e serviços, sobretudo na restauração e hotelaria. Logo em Março de 2020, aprovámos um pacote de medidas vastíssimo que passava, entre outras coisas, por: isenção de pagamento de algumas taxas e a suspensão de longo prazo, por 12 meses de outras; alargamento de esplanadas; diminuição da tarifa da água; testagem rápida e massiva em mais de 5 mil pessoas ligadas a estes serviços; estímulos ao estacionamento; desenvolvimento de uma app de apoio ao comércio local. Muito foi feito para salvaguardar o sistema vascular das nossas cidades. Mas o pico da terceira vaga, e o regresso a um novo confinamento, tornou a situação dramática para estes agentes económicos essenciais na nossa vida social. 

 Resposta local 

Impõe-se, por isso, uma resposta ainda mais firme, ainda mais forte, ainda mais solidária do poder local. Como novidade exclusiva, posso avançar neste espaço que criámos um plano de recuperação económica municipal de 3 milhões de euros. Este plano pretende proteger o emprego, salvar os nossos negócios locais, manter a competitividade e atratividade do nosso território. Vamos ajudar o tecido económico de Cascais com 3 milhões de euros. Este plano corre em três eixos principais: oeixo 1 – Estímulo fiscal, composto por isenção de pagamentos de rendas e isenção de pagamento de múltiplas taxas; o eixo 2 – Apoio à dinâmica económica, com promoção e transformação digital; e o eixo 3 – Política de Testagem. Com a ambição de garantir um mais rápido regresso à normalidade com confiança, mantendo os baixos níveis de infeção das últimas semanas, a Câmara patrocinará uma política de testagem gratuita, durante dois meses a cada 15 dias, a cinco grupos de apoio à recuperação económica, onde estão incluídos os trabalhadores da restauração e serviços.  Como tenho dito desde o dia 1 desta crise, entrámos nisto juntos e só juntos podemos sair da pandemia. Em Cascais, somos e seremos sempre “Todos por Todos”.  

 PS: Parabéns à FRONTLINE e aos seus editores, colaboradores e leitores. Em 14 anos criou uma marca de prestígio, leitura indispensável, com profundidade e sentido analítico. Venham muitos mais, sempre com boas leituras.  

 

 

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