
O FUTURO COMEÇOU ONTEM
Portugal pode tornar-se um país de desperdício de oportunidades, fruto de não conseguir antecipar desafios com base numa visão estratégica de médio/longo prazo, perdendo-se nas táticas da espuma dos dias, fruto de lideranças sem capacidade de ler o mundo e ter a consciência da nossa posição geoestratégica e geopolítica que comporta fatores competitivos porque diferenciadores.
Desenvolvi e lancei o projeto Aerópolis em Cascais, que representa uma das iniciativas mais ambiciosas de desenvolvimento urbano, económico e científico em Portugal para a próxima década. Situado na zona de Tires, em torno do Aeródromo Municipal de Cascais, este “bairro da aviação” pretende transformar a região num ecossistema de alta tecnologia transversal a todas as áreas da aviação, ensino superior e inovação aeroespacial a acrescentar à já existente escola profissional de Técnicos de Manutenção de Aviões (agrupamento de escolas Frei Gonçalo de Azevedo, TAP Manutenção e CMC).
Criação de uma cidade
A Aerópolis consiste na criação de uma cidade do setor aeronáutico, num conceito baseado em integrar o aeródromo com áreas empresariais, centros de investigação e zonas residenciais de nova geração, promovendo uma forte regeneração urbana, beneficiando da necessidade de formação de mais de dois milhões e meio de profissionais, criando oportunidades de geração de empregos bem remunerados porque de alto valor acrescentado e com a geração de milhares desses empregos, assegurar a construção de habitação pública que não venha pressionar o déficit já existente, ajudando inclusive a combater esse mesmo déficit, ao mesmo tempo que cria novos equipamentos privados e públicos (de ensino e de saúde).
Acresce que para além da formação especializada, técnico-profissional e universitária, permite o desenvolvimento de um Hub Tecnológico ao atrair empresas globais de manutenção de aeronaves, drones, tecnologias de descarbonização da aviação, desenvolvimento de materiais e aprofundamento da inteligência artificial, assim como promover soluções de mobilidade urbana.
Aviação civil
Aerópolis é a resposta à necessidade de diversificar a economia local, reforçar as diversas áreas da, áreas essas cada vez com mais procura e escassez de recursos humanos especializados. O crescimento do tráfego aéreo civil mundialmente não está a ser acompanhado da formação de recursos em todas as áreas que respondam à procura.
Insere-se numa estratégia mais vasta de Atração de Talento e de afirmação de Cascais como produtor de conhecimento e de inovação, servindo como um âncora para atracão e retenção de jovens.
Na lógica que tem seguido a necessidade de conciliar, agregar e potenciar as Academias do Saber , do Fazer e do Cuidar, em coerência assume especial importância a parceria com a Universidade NOVA de Lisboa, assumindo-se como marco crítico para a viabilização deste projeto foi o protocolo assinado com a Universidade NOVA de Lisboa, estando esta instituição académica a desenvolver a instalação da Nova Aerospace no campus da Aerópolis uma nova unidade da Faculdade de Ciência e Tecnologia, promovendo e conciliando num ecossistema a inovação e a ciência, com a formação especializada e com a necessidade estratégica de transferência de conhecimento e tecnologia entre as academias e as empresas.
Metamorfose funcional
O aeródromo tem vindo a verificar uma metamorfose funcional, rentabilizando-o com uma aposta em terra em detrimento da atividade no ar, mantendo a solidariedade com a república ao acentuar a aviação executiva, libertando o aeroporto de Lisboa para a aviação comercial e deste modo minimizar os efeitos negativos da falta de resposta de infraestruturas aeroportuárias para um setor económico essência para Portugal que é o turismo.
Tires continuará a afirmar-se e a rentabilizar-se através da Aviação Executiva e como Cluster de Manutenção com a criação hangares modernos para manutenção de frotas internacionais, ao mesmo tempo que desenvolve a Mobilidade Aérea Urbana, ao testar e implementar tecnologias de eVTOL (veículos elétricos de descolagem e aterragem vertical), posicionando Cascais na vanguarda da mobilidade do futuro.
Apesar do entusiasmo, o projeto enfrenta desafios típicos de grandes intervenções urbanas, como a vontade e capacidade política de concretizar, nomeadamente com melhoria dos acessos rodoviários (os atuais e os futuros), dos transportes públicos.
Em suma, a Aerópolis é a concretização de uma visão de “Cascais como laboratório vivo”. Ao unir a vontade política da CMC com o prestígio académico da Universidade NOVA e com o espírito empreendedor das empresas.
Cascais para além de continuar a olhar para o seu território e para esse enorme património que é o nosso mar, prepara-se para olhar para o ar, com ambição científica, promovendo uma maior coesão territorial e social.

