CARLOS CARREIRAS

RECONSTRUIR A UCRÂNIA: UMA TAREFA (TAMBÉM) PARA EMPRESAS E CIDADES – A Ucrânia está a combater por nós e pelos nossos valores. Isso significa que nesta ponta mais ocidental da Europa temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que, na outra ponta do nosso Velho Continente, os ucranianos resistam à tirania, à violência e à opressão.

Cascais acaba de se geminar, em tempo de guerra, com duas cidades ucranianas: Bucha e Irpin. Se os nomes lhe são familiares, não é pelas melhores razões. Estes dois agregados urbanos foram violentamente agredidos por uma força criminosa e desumana. Irpin está destruída a 75%. Bucha, a 26%. Se este é o índice da destruição material, o de destruição humana está completamente para além da nossa compreensão. A geminação com Bucha e Irpin é apenas o princípio de uma relação que envolverá grandes desafios. A Câmara Municipal de Cascais, os seus técnicos, mas também as forças vivas da sociedade, estão mobilizados para prestar apoio à reconstrução de ambas as cidades.

Há muitas alianças de cidades pelo mundo. Cidades pela sustentabilidade. Pela tecnologia. Pelas alterações climáticas. Pactos de autarcas. A história dá às cidades uma oportunidade de provar que o século XXI é o século da confirmação do Município como unidade política fundamental do mundo globalizado. As instituições supranacionais podem ajudar com caminhos para a paz. Os Estados podem ajudar com dinheiro e com diplomacia. Mas só as cidades podem ajudar a reconstruir a Ucrânia com conhecimento, com talento, com personalismo. Com o poder da proximidade que fala a mesma língua em qualquer parte do mundo.

A tarefa não é só nossa, das autarquias. As empresas têm uma palavra a dizer. Reconstruir bairro a bairro, cidade a cidade, um país inteiro, é um desafio ao qual todos devem responder positivamente. Cascais começou já a fazer esse trabalho e, daqui das páginas da revista FRONTLINE, apelo a todas as empresas que possam ser um auxílio na reconstrução, que se juntem anós numa grande frente de desenvolvimento para a Ucrânia.

A Ucrânia, Estado uno e soberano, contava 460 cidades no pré-guerra. Mesmo que o futuro de muitos destes agregados urbanos seja ainda uma pergunta sem resposta, o que sabemos já hoje é que nós, autarcas, cidadãos do mundo livre e democrático, temos responsabilidade perante os nossos colegas ucranianos. Tivemos a oportunidade de deixar essa mensagem aos nossos colegas autarcas europeus num encontro da ACT NOW, uma rede de presidentes de Câmara que reuniu no mês de maio em Estugarda.

O século XXI é o século das cidades. A grande resposta à pandemia partiu dos municípios. As mais ambiciosas medidas de combate às alterações climáticas partem das cidades. Perante os grandes desafios, são as cidades que oferecem as maiores respostas. A realidade provará que o municipalismo está à altura das circunstâncias.

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