ANTÓNIO CUNHA

“Hoje, 99% das pessoas têm acesso a água da torneira de boa qualidade e isso deve-se, sobretudo, ao investimento do setor privado na otimização dos processos de tratamento”.

O Grupo Aquapor é um dos principais playersdo mercado de abastecimento e saneamento de águas residuais. Estendendo a sua ação diretamente às populações, indústrias e autarquias, está presente em mais de 70 municípios e serve mais de 1,5 milhões de habitantes.A pandemia de Covid-19 veio evidenciar a “importância racional de um bem essencial, mas escasso: a água”, refere António Cunha, CEO da Aquapor, contudo, é necessárioreajustar opções quanto à gestão do abastecimento, nas diversas fases do ciclo, com especial enfoque na qualificação dos sistemas”, sublinhou.Para António Cunha, no futuro, o setor da água vai assumir um “papel preponderante”, e para que tal se verifique no futuro, é fundamental que as entidades gestoras saibam “gerir este recurso mineral escasso de forma sustentada, eficiente e sem desperdícios”, isto, por um lado. E que, por outro, “os consumidores tenham consciência da importância de regrar o seu consumo”, concluiu.

Qual o impacto que a pandemia teve no setor da água? A pandemia evidenciou a importância do uso racional de um bem essencial, mas escasso: a água. E essa racionalidade passa também por reajustar opções quanto à gestão do abastecimento, nas diversas fases do ciclo, com especial enfoque na qualificação dos sistemas. Essa é a forma de combater as perdas de água e promover uma utilização sustentável da mesma. Um desafio que é de todos: poder central, poder local, gestores de concessões e cada um de nós individualmente.O grupo Aquapor está em mais de 70 municípios e serve mais de um milhão de habitantes, a quem presta serviços imprescindíveis, que, mesmo em situação de pandemia, não puderam parar. Porque o nosso compromisso é para com os clientes e colaboradores, reinventámo-nos para continuar a prestar serviços de excelência e proteger quem tem estado sempre na linha da frente.Além das medidas de segurança, impostas pela Direção-Geral da Saúde(DGS), apostámos na utilização de uma plataforma digital que nos permite avaliar, em tempo real, se os colaboradores precisam de equipamentos de proteção individual, contabilizar os casos positivos ou saber quais as zonas de maior risco no país. Conseguimos adaptar-nos e dar resposta às novas exigências, sem afetar a qualidade dos nossos serviços.

Que medidas foram adotadas em prol das populações que a Aquapor serve? Antecipámos as fases mais complexas, criando mecanismos, com a colaboração dos nossos parceiros, para que os meios e equipamentos necessários às operações diárias não falhassem. Reforçámos os canais de comunicação não presenciais, articulando, em tempo recorde, meios de pagamento alternativos com os tradicionais. E decidimos manter o abastecimento perante casos de falta de pagamento, bem antes da legislação que saiu nesse sentido.

Muito se tem falado relativamente ao preço das tarifas praticado pelo setor privado daságuas. A que se deve a discrepância em relação ao setor público? A diferença de preços deve-se, sobretudo, aos investimentos que o setor privado tem feito, ao contrário do público. As tarifas praticadas cobrem os custos de exploração e o investimento feito para a renovação constante das infraestruturas, o que permite que a água potável chegue a mais pessoas e com melhor qualidade. Já o setor público utiliza os preços como bandeira, mas esconde a ausência de investimentos e o elevado índice de desperdício que pratica. Em 2017, o Instituto Superior Técnico realizou um estudo que mostra que os operadores privados, ao revelarem maior eficácia em termos de investimento e ao prestarem melhor qualidade de serviços, em condições equiparáveis, praticam tarifas e encargos mais baixos. E refere também que tendem a ser mais eficazes no aumento de cobertura dos serviços, tanto no abastecimento de água como no saneamento de águas residuais. Se compararmos o que é comparável, percebe-se que as tarifas praticadas pelos privados são, afinal, muito mais baixas para os consumidores e muito menos lesivas para o interesse público.

A diferença de perdasde água entre o setor privado e o público chega, por vezes, a ser superior a 60%. Porquê? A média nacional de perdas de água é de 30%, sendo que o setor privado apresenta perdas abaixo dos 15% e o público acima dos 75%. A diferença está entre uma gestão cuidada e ambientalmente responsável e outra que promove o desperdício, com preços baixos que decorrem do não investimento em fazer baixar essas perdas. Estou a falar de investimentos em tecnologia de última geração, que antecipa e resolve possíveis fugas, e na aposta em colaboradores com mais know-how.

Recentemente, as concessões da Aquapor foram objeto de um estudo da Nielsen que demonstra um crescimento significativo do consumo da água da torneira. A que sedeve essa mudança de comportamento? Existem três fatores decisivos: a confiança, o preço e o ambiente. Hoje, 99% das pessoas têm acesso a água da torneira de boa qualidade e isso deve-se, sobretudo, ao investimento do setor privado na otimização dos processos de tratamento, que são cada vez mais evoluídos. Por outro lado, consumir água engarrafada tem um custo muito elevado, incomportável para a maioria das famílias. Por fim, as pessoas estão mais recetivas às questões ambientais, adotando, mais facilmente, comportamentos sustentáveis. Sem esquecer os benefícios que a ausência do plástico tem para a saúde humana.

Que futuro prevê para o setor da água?O setor da água vai assumir um papel preponderante. É fundamental que as entidades gestoras saibam, por um lado, gerir este recurso mineral escasso de forma sustentada, eficiente e sem desperdícios, e, por outro, que os consumidores tenham consciência da importância de regrar o seu consumo.A grande aposta do setor é a tecnologia preditiva. Só assim é possível detetar precocemente fugas ou problemas de qualidade, identificar novos poluentes que possam surgir nos meios hídricos, fruto das alterações climáticas, ou sermos ainda mais eficazes no tratamento da água.

 

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