ADRIANO MOREIRA

CONSCIÊNCIA E COOPERAÇÃOA quebra da Paz entre consciência (credo de valores) e liberdade (Terra casa comum dos homens) tem sempre, entre as causas, a ausência de um diálogo querido entre os valores em busca de cooperação, e a disposição dos interesses jurídicos como reserva sem participação. Neste século, a verdadeira agressão aos conceitos da ONU é que sofre da visível ameaça de um pântano que transforma o credo de valores comuns em utopia, e a liberdade numa justiça natural substituída pela crescente necessidade de segurança e defesa. Esta terceira guerra mundial em que se tornou a brutal ofensiva da Covid-19 agravou o enfraquecimento do futuro proclamado pela ONU, abalando ao mesmo tempo esse credo de valores e dividindo o uso da cooperação na multiplicação de grupos de cooperação sobre interesses partilhados apenas por emergentes. Por isso não cresceram as pregações, que, por exemplo hoje, são feitas pela Comissão Internacional para a Defesa da Liberdade Religiosa, não ganhou relevo na ONU a sala que o desaparecido Dag Hammarskjöld dedicou à meditação de todas as religiões diferentes dos povos acolhidos na ONU, cuja Assembleia Geral apenas convidou os Papas católicos, desde João Paulo II a Francisco, e este não omitiu a Missa sobre o Mundo, nem a visita ao Iraque. Todavia continuam a ser mais valores diminuídos do que triunfos, não construir pontes, promover a intenção e combater contra o discurso de ódio, diminuir a proteção das minorias religiosas e dos migrantes, como preocupantemente procura a ativa Associação Internacional – que teve acolhimento importante pelo reconhecimento da ONU, quando organizaram a segunda cimeira sobre “Religião, Paz, e Segurança” no Palácio das Nações Unidas em Genebra.  

A tradição portuguesa, em 2020, apoiou a multiplicação de especialistas e colaboradores em Direitos Humanos e Liberdade de Religião e Crença, de 29 de abril a 1 de maio de 2019, não faltando uma posição de numerosas personalidades da investigação científica, do ensino, da problemática da governação internacional. Não obstante, não impede a própria agressão com êxito do fraco contra o forte, como já anunciou ao mundo, pelo ataque às Torres Gémeas de Nova Iorque, o Presidente Bush de então caracterizou um sinal de “tarde para os homens e cedo para Deus”, nem evitou a brutalidade étnica em França, nem o desafio do Norte de Moçambique.  

E continua silencioso o facto de que judeus de Israel apoiam a paz com cidadãos muçulmanos, e cidadãos muçulmanos a apoiar cooperação com judeus, procurando na vida cívica e solidária o respeito pelas diferenças religiosas. Por isso, o conselheiro da ONU Adama Dieng para a Prevenção do Genocídio não deixou de ser ouvido sobre os crimes de genocídio, contra a Humanidade, e crimes de guerra. A justiça natural continua a ser incapaz de impor o legado a deixar à próxima geração, com a qual não viveremos. 

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