ADRIANO MOREIRA

A LEVIANDADE INTERNACIONAL – Nunca é útil esquecer a advertência de Bismark, no sentido de que as leviandades de governantes tendem a provocar graves conflitos. Neste período em que o século não tem bússola para definir o futuro, e enfrentamos a agressão global da Covid-19, é extremamente grave ressuscitar o modelo de Estado Espetáculo que celebrizou o livro de Schwartzenberg. Manter ou criar conflitos entre emergentes que esquecem a crise da Utopia da ONU, mas procedem internacionalmente usando uma chamada diplomacia de aparência provocatória, tudo impede o total respeito e adesão à crise global causada pelo ataque da pandemia, que não torna nem legítimo nem livre de crítica condenatória o facto de o presidente dos EUA declarar na Assembleia Geral da ONU que não aceita a regra da solidariedade global, usando apenas a visão aristocrática da ação solitária da “America First”. A leviandade levou o general Ben Hodges, ao sair do comando da NATO, em 2019, a prever que “EUA e China estarão em guerra dentro de quinze anos”. No ambiente criado, e não é ignorável, o presidente Macron, em 6 de setembro, mencionou os testemunhos, contra a China, sobre “os campos de internamentos, as detenções maciças, os desaparecimentos, o trabalho forçado, a destruição do património omigoure em particular os lugares de culto, a vigilância da população e mais globalmente todo o sistema repressivo posto em vigor nesta região”, finalizando com a condenação “com a maior firmeza”. Na Alemanha, a desconfiança dos partidos em relação à China cresce, e a presença, de tempo já limitado de Merkel, procura a moderação da crítica. Os oceanos são considerados perigosos pelos analistas, e no espaço da lusofonia, no espaço das infelizes situações da América Latina, as informações afirmam que “a floresta da Amazónia avança para uma situação irreversível”. Um grupo de investigadores franceses, universitários e médicos, avaliam e condenam a “gestão dos governos”, procurando o fim da “gestão pelo medo” da epidemia. Finalmente, o Brexit da Inglaterra volta, no panorama das intervenções do primeiro-ministro, a marcar os esquecimentos da advertência de Bismark. Advertência que, esquecida, levou à Primeira Guerra Mundial, no fim da qual alguém militar declarou que se tratava de armistício e não de paz; a leviandade da Sociedade das Nações, visível quando o Negus da Etiópia ali proferiu o histórico discurso a pedir a negada intervenção contra a invasão italiana, inicia o processo que levou à Segunda Guerra Mundial. O problema inquietante, no fim deste século sem bússola, é secundarizar a pandemia inquietante para vencer no conflito das emergências, ou da hierarquia aristocrática do Conselho de Segurança levar a principal leviandade a imaginar a America First. Alguma voz encantatória tem de vir iluminar a compreensão de que o imprevisível está à espera de uma oportunidade.

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