ADRIANO MOREIRA

A INVERSÃO DA OCIDENTALIZAÇÃO – Talvez não haja injustiça em recordar D. Dinis para compreender o início da evolução do projeto do Infante D. Henrique, chamado por apreço O Navegador. O que muito claramente descreve a amiga de Portugal, que aqui viveu, Suzanne Chantal, o rei foi além do milagre da Virgem no abismo da Nazaré, impedindo a queda no mar do cavalo que montava D. Fuas Roupinho.

A longa costa do reino, e os ataques da periferia, ocupou o rei da construção de navios que eram grandes veleiros, e enviou a Génova, cujos marinheiros eram considerados “os grandes senhores dos mares”, para contratar um almirante. Foi Manuel Pezano que veio acompanhado de 20 genoveses com saber e organizaram a marinha mercante e militar. Ao contrário de Filipe IV de França, que se apoderou da fortuna dos Templários, presos, julgados, condenados e executados, D. Dinis conseguiu do Papa o reconhecimento da inocência dos que ficaram em Portugal depois do combate com os mouros, o que conseguiu.  

Sendo porém necessário dissolver a Ordem dos Templários, D. Dinis criou com eles a Ordem de Cristo, de que viria a ser gestor o Infante D. Henrique, tendo recursos económicos, e saber, para iniciar o que viria a chamar-se ocidentalização do globo, com o interesse económico acompanhado pela difusão da fé cristã, e agora o livro de Freddy Silva intitulado Portugal – A primeira Nação Templária 

Esta supremacia, que iniciou o ocidentalismo, e que a guerra de 1939-1945 acabou com o Império Euromundista (Holanda, Bélgica, Reino Unido, França, Portugal), viu substituída a Utopia da ONU por uma competição contra ocidentais, com relevo de um lado dos EUA, e da China, da União Indiana, e do Japão. Uma competição desordenada, sem impedir a inovação do verbalismo privativo da presidência americana, que contribui com imprudências tradicionalmente causadoras de desastres.  Assim como Anatole France se manifestara “contre la folie colonial” (1905), e Vítor Hugo que “il faut à l’Europe une nationalité européenne” (1876), o que resultou foi uma Europa de União que é uma pequena parcela territorial em relação ao Globo em crise, sabendo que nenhum dos seus países pode enfrentar isolado as ameaças existentes ou previstas, e que as potências que se movimentam como opositores da sua passada função de “luz do mundo” são a China, o Japão, a União Indiana, os países muçulmanos, Estados africanos em geral, enfim, de maneira geral, todos os que foram objeto da ocidentalização 

Recorde-se a atitude dos EUA que não é naturalmente dessa franja, mas de um unilateralismo perigoso, e a situação da chamada América Latina, onde a ideia ocidental de Nação não encontrou ainda garantia contra as divisões internas definidas pela injustiça social, frequentemente com agressões das diferenças étnicas e da injustiça social. Quando o Papa Francisco rezou isolado, sem presença de fiéis, a sua “missa sobre o mundo”, sabia que o “credo dos valores” da ocidentalização está em causa pelo preferido “credo dos interesses. É necessário assumir. 

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