
BMW GROUP DEBATE O FUTURO DO SETOR DOS TRANSPORTES
A descarbonização da mobilidade europeia esteve em destaque num painel de discussão realizado no Portugal Smart Cities Summit, em Lisboa.
A sessão reuniu vários intervenientes ligados ao setor automóvel, à tecnologia e à decisão política, incluindo Thomas Becker (Senior Vice President Governmental Affairs, BMW), Hélder Pedro (secretário-geral da ACAP), Christine Marconcin (COO da Critical TechWorks) e Gonçalo Lage, (deputado do PSD e coordenador da Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação).
O debate centrou-se numa das principais questões que a Europa enfrenta atualmente: como acelerar a transição climática sem comprometer a competitividade industrial, a resiliência económica e a aceitação social. Ao longo da discussão, uma ideia ganhou particular destaque: a ambição climática é essencial, mas deve ser acompanhada por uma leitura realista das condições do mercado, das infraestruturas e dos sistemas energéticos.

Mobilidade de baixo carbono
Os participantes defenderam que a transição para uma mobilidade de baixo carbono não pode depender de uma única tecnologia nem de um calendário uniforme para todos os países. A prontidão das infraestruturas, os custos da energia, o acesso ao carregamento, os padrões de mobilidade e o ritmo de adoção por parte dos consumidores variam significativamente entre regiões da Europa. Por esse motivo, uma estratégia assente apenas na eletrificação e aplicada de forma igual em todos os mercados poderá não responder às diferentes realidades existentes.
Neste contexto, foi defendida uma abordagem tecnologicamente aberta, capaz de combinar diferentes soluções para atingir o mesmo objetivo: reduzir as emissões de CO₂. A eletrificação foi apontada como uma via fundamental, sobretudo nos mercados onde as condições já permitem acelerar a sua adoção. No entanto, os intervenientes sublinharam também a importância de outras soluções complementares, como os combustíveis renováveis, os veículos híbridos plug-in, a otimização do ciclo de vida dos produtos, a reciclagem, a circularidade e o acesso seguro a materiais críticos.
A discussão destacou ainda que o contexto europeu da transição energética se tornou mais complexo nos últimos anos. O aumento dos custos de energia, a incerteza geopolítica, a pressão sobre a indústria e as preocupações com cadeias de abastecimento e dependências externas obrigam a uma resposta mais flexível e pragmática. Para os oradores, a Europa deve recorrer a uma verdadeira “caixa de ferramentas”, combinando inovação tecnológica, regulação inteligente, dados de mobilidade, investimento em infraestruturas e soluções de economia circular.

O papel das soluções digitais
A Critical TechWorks sublinhou o papel das soluções digitais neste processo, destacando a sua contribuição para apoiar o BMW Group na implementação de estratégias de descarbonização mais credíveis, mensuráveis e adaptadas às diferentes realidades. A utilização de dados foi apontada como essencial para tornar visíveis as diferenças entre mercados e para permitir decisões mais rápidas, flexíveis e eficazes.
No final, o painel reforçou a ideia de que o futuro da mobilidade na Europa não será definido por escolhas rígidas ou soluções isoladas. Pelo contrário, dependerá da capacidade de conciliar ambição climática, diversidade tecnológica, competitividade industrial e aceitação social.
A principal conclusão deixada em Lisboa foi clara: a descarbonização continua a ser o objetivo, mas o caminho para lá chegar deve ser flexível, mensurável e centrado nas pessoas. Só assim será possível alcançar um impacto climático real sem ignorar a complexidade económica, tecnológica e social da transição.


