CARLOS CARREIRAS

10 de Dezembro de 2018

TURISMO JÁ AGRADECEMOS ÀS POLÍCIAS?

Portugal tem conhecido um boom turístico sem precedentes. Ano após ano, batem-se recordes de dormidas, de ocupação hoteleira, de consumo de serviços. Multiplicam-se os aviões que aterram e descolam da Portela carregados de visitantes. Os novos negócios florescem, as cidades revitalizam-se e milhares de estrangeiros, mais ou menos famosos, escolhem-nos para país de residência.

Nove em cada 100 euros gerados, diariamente, no país têm origem no setor turístico. Ou seja, 9% do PIB. Esta cifra faz de Portugal a segunda economia desenvolvida mais dependente do turismo – à nossa frente só Espanha, atrás de nós colossos como França ou Itália.
Para continuarmos a ser competitivos à escala global, é crucial que entendamos todas as características do mercado em que estamos a trabalhar. Portugal olha nos olhos os melhores, por exemplo, em termos de hospitalidade, diversidade natural e cultural, modernidade das suas infraestruturas ou gastronomia. Também se sai melhor do que os seus competidores na relação qualidade-preço do produto oferecido. (Já agora, talvez tenha chegado a altura de deixarmos de competir pelo preço baixo, mas esse é outro tema.) Todos estes fatores são importantes para o posicionamento do destino Portugal. Porém, o mais decisivo de todos eles é – talvez por ser dado como garantido – o mais ignorado pelas políticas públicas: a segurança.

 

Segurança como prioridade

Portugal é considerado um dos destinos mais seguros do mundo. Isso faz toda a diferença. Um estudo de 2017, de uma conhecida universidade britânica, mostra que no momento de escolher o destino de férias, o critério de decisão mais relevante para 97% dos turistas não é a qualidade das praias nem a beleza dos monumentos. É a segurança. Sobretudo depois dos ataques a populares cidades do Norte de África e da Europa, a variável determinante é a segurança.
 Há alguém a quem devemos creditar os méritos destes resultados: as nossas forças de segurança. Depois de anos e anos de austeridade, as polícias estão a operar no limite. Sobra-lhes em vontade e competência o que lhes falta em recursos e meios. Se Portugal é uma potência turística internacional, deve-o tanto às suas forças de segurança como aos seus agentes turísticos. Chegou o tempo de o setor turístico devolver às polícias aquilo que as polícias têm dado ao turismo. Temos discutido abundantemente as taxas turísticas. Agora que essas taxas voltam a conhecer um aumento, proponho que uma percentagem dessa verba seja diretamente canalizada para formação, treino e equipamento das forças de segurança.

 

Retribuição justa

Esta não é apenas uma forma justa de retribuição às polícias.
É uma medida que não tem impacto orçamental – e, portanto, permite manter o rigor nas contas. É uma medida que não onera os contribuintes nacionais – é alimentada pelos turistas, na sua esmagadora maioria estrangeiros.
É uma medida que protege o turismo, a galinha dos ovos de ouro, ao mesmo tempo que cria melhor ambiente público e de segurança para todos os cidadãos. Cada município fará o que bem entender com a sua taxa turística. Cascais, uma das salas de visitas do país, já decidiu o que fará com a sua: reforçar a proteção daqueles que protegem. É que sem segurança não há turismo. Sem turismo não há economia.



Categoria: Magazine

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