JOSÉ MANUEL SILVA

9 de Março de 2012

“HÁ UM CLIMA DE MEDO ENTRE OS MÉDICOS

José Manuel Silva assumiu o cargo de bastonário da Ordem dos Médicos há um ano e diz que a complexidade excedeu as suas expetativas, dada a situação difícil que o país atravessa. O “clima de medo” que diz haver entre os medicos preocupa-o e garante que é preciso haver dinheiro para a saúde, mesmo que falte para tudo o resto. Crítico de situações como as do BPN ou da “agiotagem” que diz estar a ser feita pelo BCE, o bastonário pede mão firme para acabar com o que chama de “criminoso”. O ministro da Saúde, Paulo Macedo, conta com o apoio de José Manuel Silva, que até diz que ele seria melhor primeiro-ministro que Passos Coelho, deixando indiretamente uma crítica aos políticos profissionais que têm no curriculum cursos feitos tardiamente. O orçamento da Saúde é “ingerível”, mas é possível fazer melhorias e aumentar a eficiência. Aos alunos de Medicina, lembra que a emigração pode ser a única solução num futuro próximo, uma vez que o país não precisa, no imediato, de mais especialistas, precisa é de melhor organização.

 

O que é para si ser bastonário da Ordem dos Médicos? É um cargo que tem correspondido às suas expetativas?

É um cargo que me permite ter a honra imensa de representar uma classe de grande prestígio, dignidade e de grande complexidade. É um cargo cuja dificuldade excedeu as minhas previsões por causa dos problemas que o país atravessa. Não tanto por problemas dentro da classe médica, ou até dentro do SNS, mas pelas consequências que a crise do país tem tido a nível da saúde. Neste momento temos problemas em todo o lado e as pessoas depositam no bastonário da Ordem dos Médicos uma grande esperança de que possa contribuir para a resolução dos problemas, mas infelizmente este não tem os meios para o fazer de forma autónoma. Isso torna o cargo extremamente difícil. Não me preocupa a exigência, nem o trabalho intenso, nem a complexidade, o maior problema é a frustração de não podermos resolver todos os problemas que nos colocam. As notícias de que algumas farmacêuticasestão a deixar de abasteceros hospitais do SNS são preocupantes…

 

Estamos em risco de ficar sem medicamentos?

Estamos em risco de ficar sem país e portanto em risco de ficar sem tudo. A troco dos subsidies da União Europeia liquidámos a nossa agricultura e as nossas pescas. Com a globalização e concorrência desleal que existe, em que é impossível concorrer contra a escravatura com que se trabalha na China ou mesmo na Índia, a nossa indústria ficou extraordinariamente reduzida, excetuando alguns nichos de particular qualidade que conseguiram resistir. Com as dificuldades económicas que sucessivos governos, sobretudo os dois últimos, nos colocaram, estamos a vender as grandes empresas públicas que eram lucrativas para o Estado. Não temos agricultura, não temos pescas, não temos indústria, não temos empresas públicas, depois não nos podemos admirar que nos continuem a acusar de falta de produtividade. (…)



Categoria: Grande Entrevista

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