PERSONALIDADES 2017

6 de Fevereiro de 2017

OS NOMES QUE NÃO VAMOS ESQUECER

A cada ano que passa, nomes, factos e figuras ficam retidos na nossa memória pelo protagonismo que conferiram a determinado momento, localizado no espaço e no tempo. Para a FRONTLINE, estes seis nomes serão incontornáveis neste ano que entra, sem mérito ou desmérito para os muitos que ainda se venham a revelar.

Pope Francis waves after leading his weekly general audience at St. Peter's Square at the VaticanPapa Francisco

Em tempos que continuam conturbados, de acelerada e incontrolável mudança, nem Francisco quebrou nem ninguém conseguiu quebrar o seu ímpeto reformista ou ficar indiferente à simplicidade da sua palavra ou perante a sua defesa intransigente da Fé. Francisco protagonizou uma nova envangelização católica, quebrou temas tabus do catolicismo, como o aborto, abriu novos horizontes na sua aproximação aos fiéis, sempre preocupado com quem sofre e carece de atenção e justiça, mas com um constante apelo à cultura do diálogo e à comunhão nas diferenças. Ainda recentemente, quando confirmou a sua vinda a Fátima em maio deste ano e, mais uma vez, confrontado com a questão da homossexualidade, deixou bem expressa a nota dominante do seu magistério ao afirmar: “Na minha vida de sacerdote, de bispo e até de Papa, acompanhei pessoas com tendência – e até com prática – homossexual. Acompanhei-as, aproximei-as do Senhor, algumas não podem, mas acompanhei-os a todos. É isto que se deve fazer: acompanhar as pessoas como fez Jesus”. Este é Francisco, o Papa que, finalmente, abalou os alicerces seculares de uma Igreja Católica que muitas (demasiadas) vezes esteve de costas viradas para os seus fiéis.

António CostaA Costa 8

Se no ano passado o atual primeiro-ministro revelou ambição, um raro sentido de oportunidade política, destruiu o conceito do arco da governação e fez a democracia funcionar em pleno, este ano terá de revelar um raro sentido de capacidade de governação política. António Costa começou a consolidar o seu percurso em 2014, ano que marcou de uma forma meteórica a habilidade política ao conseguir uma vitória sem precedentes na sua recondução à frente dos destinos da Câmara Municipal de Lisboa e ao conquistar a liderança dos socialistas, conseguindo uma mobilização sem precedentes na história do partido. E foi primeiro-ministro, não só “transformando uma geringonça” numa apta estrutura de governação, como também revelando uma extraordinária capacidade de mobilizar um país, que se revelou como o seu mais precioso trunfo político contra os seus adversários. Mas para o ano que se adivinha tudo isto já não chega. Conquistar e afirmar não é o mesmo que consolidar e governar. Já aqui o tínhamos dito: consiga Costa equilibrar a equação do seu programa político com a governação exigida à sua esquerda e os compromissos de um país europeísta, e Portugal será rosa certamente por mais do que uma década. Mas o ano começou com nuvens negras…

António GuterresGuterres

O mérito foi seu, todo seu. Guterres chegou a secretário-geral das Nações Unidas porque se chama António Guterres. Porque durante 10 anos desenvolveu um trabalho incansável, meritório e irrepreensível como alto-comissário para os Refugiados da ONU. Porque, como referiu o embaixador russo nas Nações Unidas, é “um político de alto nível, que fala com toda a gente e escuta toda a gente e expressa francamente a sua opinião”. Vitaly Churkin apenas sintetizou aquilo que todos os representantes dos 193 países membros da organização, que aclamaram Guterres por unanimidade, acabaram por expressar: o homem certo no sítio certo. Mas o legado de Guterres não será fácil, assim como a sua eleição foi, será justo afirmá-lo, uma clara vitória da força da diáspora portuguesa no mundo e, por isso mesmo, Portugal terá uma responsabilidade acrescida, mesmo que seja ética e moral, na condução próxima dos destinos do mundo. Como afirmou Guterres na sua tomada de posse, ao recordar as guerras que lia descritas nos livros de História da sua juventude, “nessa altura tinham sempre vencedores e vencidos. Hoje as guerras não têm vencedores, todos perdem”. Mas uma vitória é já certa para todos: os caminhos para a paz conhecerão novo protagonismo e a ONU vai conhecer uma reforma sem precedentes.

MarceloMarcelo Rebelo de Sousa

Se a retórica faz sentido, Marcelo Rebelo de Sousa, ao contrário do que já fez, não precisa politicamente de a usar. Porque, também a expressão “O Presidente de todos os portugueses” ganhou uma dimensão que em 40 anos de democracia nunca tinha conseguido.Os portugueses são Marcelo, e Marcelo tem correspondido de uma forma exemplar a essa mesma dimensão, mas sabendo preservar a dignidade e o sentido de Estado e sem cair em falsas tentações de populismo.  Há um ano atrás escrevemos, nesta mesma revista, que certeza única era que o atual Presidente marcaria “tempos diferentes, sendo um importante sinónimo da mudança estrutural, política e democrática que o país começou desde há uns meses a conhecer e a viver. Marcelo trará certamente tempos novos na sua relação com os eleitos e os eleitores, mais ainda depois do anterior mandato de um presidente do qual os portugueses se divorciaram”.E na altura ficou uma pergunta em aberto: será Marcelo o Presidente que o país quer? A resposta para este e para os anos vindouros é inequívoca. Perguntem aos portugueses.

Donald TrumpTrump

“Against All Odds”. Nunca o tema de Phill Collins encaixou tao milimetricamente num personagem como em Donald Trump. A América acordou, ou finalmente acordou, para realidades que desconhecia. Uma profunda clivagem política com confrontos violentos na rua quando, até então, estes só tinham tido motivações racistas. Uma profunda clivagem ideológica alicerçada em patamares geracionais, o que a torna mais perigosa. A eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos ainda está por explicar. Mesmos os seus mais fervorosos apoiantes não conseguem encontrar explicações para tal. Mas a verdade é que é presidente da nação mais poderosa do mundo. Mesmo a versão mais racional e politicamente correta que tenta adotar para esconder a irascibilidade, intolerância, falta de sentido e valores éticos, entre tantos outros atributos que caraterizam a sua personalidade, sobreviveu pouco tempo ao “verdadeiro Trump”. A incógnita não é só para os Estados Unidos, mas também para todo o mundo. A grande pergunta é: 2017 sobreviverá a Trump ou será Trump capaz de sobreviver a 2017? Vale a pena citar um poema de Samuel Ullman, que o general Mac Arthur tinha afixado no seu gabinete: “You are as young as your faith, as old as your doubt, / as young as your self-confidence, as old as your fear, / as young as your hope, as old as your despair.”

FBL-POR-SANTOSFernando Santos

Se Marcelo é o Presidente, Fernando Santos foi o treinador de todos os portugueses e ao engenheiro se deve grande parte do mérito da conquista, pela Seleção Nacional, do título europeu de futebol. Aos 62 anos viu também consagrada a sua carreira ao ter sido considerado o melhor selecionador do mundo em 2016 pela IFFHS – Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol, carreira que, logo no seu início, quase abandonou, equacionando, então, a hipótese de voltar à sua área de formação académica, a engenharia eletrotécnica e de telecomunicações. Corria o ano de 1994 e Fernando Santos tinha acabado de abandonar o Estoril. Mas, felizmente, apenas alguns meses depois, um convite do Estrela da Amadora repôs o engenheiro nos trilhos do futebol. E ainda bem que assim que assim foi, para gáudio dos portugueses que, a 10 de julho de 2016, viram o Stade de France vergar-se às quinas da bandeira nacional. Se Fernando Santos já é um nome incontornável na história do futebol português, a esperança lusa é que, nos próximos anos, e muito graças a ele, possamos ser uma potência mundial no desporto-rei.



Categoria: Em Destaque

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