MUSEU NACIONAL DO TRAJE

Museu Nacional do Traje

INDUMENTÁRIA HISTÓRICA

O Museu Nacional do Traje reúne uma coleção de indumentária histórica e acessórios de traje, desde o século XVIII à atualidade, que apresenta ao público quer na sua exposição permanente quer em exposições temporárias. Está instalado no Palácio Angeja-Palmela e tem anexo o Parque Botânico do Monteiro-mor.

Tendo como missão construir uma estratégia de investigação, conservação e divulgação do traje e do têxtil, o Museu Nacional do Traje, inaugurado em 1977, está instalado na Quinta do Monteiro-Mor e resultou de um projeto nascido em 1969, apresentado em 1973 e consolidado com a realização da exposição O Traje Civil em Portugal em 1974. Constituído por doações de particulares, o espaço contou também com a incorporação das peças de traje e acessórios existentes noutros museus nacionais. Contudo, nos anos que se seguiram e até à atualidade, as doações de particulares constituíram-se como a grande fonte de enriquecimento da coleção. O Museu Nacional do Traje reúne coleções de traje civil, nacional e internacional e respetivos acessórios, fragmentos de tecidos e peças de bragal, materiais e equipamento que testemunham os processos de produção do têxtil, do traje e acessórios. O seu acervo conta ainda com coleções de bonecas e respetivos trajes, pintura e mobiliário, entre outras.  Em fevereiro de 1974, com o sucesso da exposição O Traje Civil em Portugal, equacionando a questão da criação de um museu do traje e contextualizando os estudos especializados à época, estava superado “o teste à capacidade de resposta de eventuais doadores privados” com absoluto sucesso.

 

Uma história a recordar

Na história dos primeiros tempos, que Natália Correia Guedes – a responsável pelo projeto – recorda, e nos registos do Museu Nacional do Traje que datam de 1974, as primeiras ofertas de peças foram todas elas de particulares. A coleção pública que integrou o acervo veio do Museu Nacional dos Coches, onde se tinha vindo a reunir, desde 1904, uma importante coleção de trajes provenientes da Casa Real, enriquecida por uma longa política de aquisição e de doações. Em 1976, as doações atingiam o impressionante número de 5 mil peças, contra 507 peças adquiridas e apenas 304 peças incorporadas por transferência e provenientes de outros museus do Estado. Atualmente pode-se afirmar que mais de 90% do acervo do museu – cerca de 38 mil peças – provém de doações. As variadas coleções em que se organiza este vasto acervo representam essencialmente o traje civil e respetivos acessórios, do século XVIII à atualidade, documentando a evolução das formas de vestir neste período de tempo, e representando sobretudo o modo de vestir da aristocracia e alta ou média burguesia. O traje popular, quase ausente das coleções aquando da criação do museu, não sofre grandes variações de moda e é transformado, adaptado e usado até ao fio, não se conhecendo exemplares de épocas muito recuadas. O traje feminino representa o maior núcleo da coleção, associado a todo o tipo de acessórios. Completa-se com a coleção de traje interior, abundante, e representativa dos séculos XIX e XX. O traje masculino está também presente, com predominância para as épocas em que a seda e o linho tinham primazia. Uma interessante coleção de traje de criança completa o núcleo do traje civil.