FILOSOFIA DO ESPAÇO

102.2“PROCURAMOS CRIAR AMBIENTES ÚNICOS”

 

Com um gosto pelo design e pela arquitetura que vem de família, Rita Gabriel é a responsável pelo atelier Filosofia do Espaço. Licenciada em Arquitetura de Interiores pela Fundação Ricardo Espírito Santo, esta designer começou por trabalhar com Maria José Salavisa, que considera como mentora. Responsável por vários projetos, tais como o pavilhão da Cruz Vermelha na Expo’98, o Restaurante Kais, o Hockey Café ou o Hotel Caracol, neste momento Rita Gabriel tem em mãos a decoração interior do Hotel Atlântico Residence, no Monte Estoril, e a remodelação do Farol Hotel, em Cascais.

Como surgiu o seu interesse pelo design e arquitetura de interiores? Trata-se de uma herança de família ou foi simplesmente uma opção sua?

Posso dizer que o meu interesse pelo design e pela arquitetura vem de família. Fui muito influenciada tanto pelo meu avô – que sempre adorou arquitetura –, como pela minha mãe, pessoa que, na minha opinião, sempre mostrou muito bom gosto, tendo inclusive chegado a ter uma loja de decoração em Lisboa e no Algarve.

Qual foi o seu percurso profissional até aqui?

Licenciei-me em Arquitetura de Interiores, na Fundação Ricardo Espírito Santo. Quando terminei o curso, em 1997, fui convidada para trabalhar com a Maria José Salavisa, com quem tive oportunidade de colaborar em projetos como o Restaurante Kais, entre muitos outros. Entretanto, abri o meu próprio atelier um ano depois. A juntar a isto dei aulas de Projeto de Arquitetura de Interiores na Fundação Ricardo Espírito Santo. Em 2001 tive a oportunidade de colaborar no atelier dos arquitetos Latino Tavares e José Luís Pinto Basto.

Quais foram as suas referências? Teve certamente designers ou arquitetos que a influenciaram.

051As minhas principais influências são as viagens. Em termos de designers e de arquitetos, não posso deixar de referir, a título nacional, Maria José Salavisa, como decoradora, e Raul Lino, como arquiteto. A primeira, pela sua audácia e arrojo, e o segundo, pelo seu respeito pela tradição, pelos materiais autóctones e pelo modernismo. A nível internacional, destaco vários nomes como Oscar Niemeyer, Frank Lloyd Wright, entre outros.

Atualmente quais são os seus designers preferidos ou arquitetos de interiores? Como justifica?

Pela espetacularidade, Zaha Hadid. Pela inovação, Frank Gehry. A nível nacional, gosto de Miguel Câncio Martins e Nini Andrade e Silva, que, pelo seu estilo e dedicação, têm conseguido conquistar o mercado externo.

 

O que distingue o atelier Filosofia do Espaço de outros gabinetes de design e arquitetura de interiores existentes? Como definem o vosso estilo?

Na realidade, nunca nos preocupámos em marcar um estilo específico, procuramos, isso sim, ouvir o cliente, perceber as suas preocupações e criar ambientes únicos, onde os nossos clientes se identifiquem. Tentamos sempre aliar a estética à funcionalidade, que, para nós, Filosofia do Espaço, pode ser a razão do sucesso ou fracasso de um projeto.

Quais são atualmente os projetos mais importantes que têm em mãos?

Neste momento, estamos a desenvolver o projeto de interiores do Hotel Atlântico Residence, no Monte Estoril, e a remodelar o Farol Hotel, em Cascais. São dois projetos muito desafiantes e estimulantes.

Quando escolhem os materiais, que caraterísticas têm em consideração?

A durabilidade, associada à funcionalidade e à estética, está entre as nossas principais preocupações.

32616_337988149652616_1931324060_nTentam optar primeiro por materiais nacionais ou não têm essa preocupação?

Tentamos sempre optar por materiais nacionais. Contudo, infelizmente nem sempre é possível.

Que materiais usam com mais frequência?

Os materiais dependem muito da localização dos projetos. Tentamos sempre utilizar materiais da região e amigos do ambiente.

Quais os projetos que mais a marcaram?

Sem dúvida, a colaboração no pavilhão da Cruz Vermelha na Expo’98, o Restaurante Kais e o Hockey Café, enquanto trabalhava com a Maria José Salavisa, talvez por terem sido os primeiros espaços públicos. Mais tarde, em 2000, a recuperação do edifício Versailles, em Lisboa, e talvez o Hotel Caracol, em 2002, exatamente porque foi o primeiro hotel que fiz.

Das obras que já projetou, com qual é que se identifica mais?

Identifico-me com todas, em todas elas fica um bocadinho de mim. Mas gosto bastante da penthouse do Estoril Sol e do Farol Hotel.

Esta é uma das áreas que também se ressente com a crise económica que Portugal enfrenta?295972_248269378547865_764213228_n

Sim, penso que todas as áreas se ressentem um pouco. No nosso caso temos conseguido ultrapassar e estamos com bastante trabalho.

Quais os projetos do gabinete para o futuro?

Para o futuro temos vários projetos em desenvolvimento, nomeadamente no campo internacional.