LUÍS MIRA AMARAL

6 de Outubro de 2017

O CRESCIMENTO E A AUSTERIDADE

Para evitar a bancarrota em 2011, o governo PS teve que negociar com a troika um duro Programa de Ajustamento. Com o acesso ao financiamento externo cortado e tendo ficado dependente financeiramente da troika, a austeridade era fatal e inevitável. Mas, como temos visto, ela tem continuado em modelo low cost com o aumento dos impostos indiretos, as fortes cativações nos serviços públicos e a travagem do investimento público. É muito diferente a situação que o governo PSD-CDS então herdou, quando comparada com a situação atual em que a economia teria de crescer alguma coisa tal o aperto a que tinha sido submetida. Assim não é correto afirmar que o crescimento atual mostra que havia alternativa a essa austeridade. “It’s politics stupid!” Mas o PIB já crescia em cadeia desde o 1.º trimestre de 2013, o desemprego descia desde janeiro de 2013 e a dívida pública também tinha caído em 2015. E estamos agora com uma conjuntura fabulosa de baixas taxas de juro, petróleo barato, principais mercados, como Espanha, a crescerem, boom turístico e fundos comunitários. O PIB, empurrado por esta conjuntura, cresceu então 2,9% no 2.º trimestre de 2017 em relação ao período homólogo do ano passado, mas o “tal mais elevado crescimento do século” é também fruto do chamado efeito base ligado ao fraco crescimento desse 2.º trimestre de 2016 e isso irá ver-se já no final deste ano e em 2018 com uma desaceleração em termos homólogos, uma vez que no final de 2016 o crescimento tinha acelerado. Tal desaceleração já é visível no crescimento em cadeia que caiu de 1% para 0,3%. Outro indicador convergente desta tendência é o facto de o emprego crescer mais do que o produto, o que leva a que a produtividade aparente do trabalho tenha variações negativas, pondo em risco a sustentabilidade da recuperação. Acresce que há sinais de aumentos de custos, nomeadamente salariais, não suportados por ganhos de produtividade, os quais penalizarão a competitividade externa, com impacto negativo nas duas variáveis que estavam a puxar a economia: o investimento e as exportações. Apesar do mérito dos exportadores, do aspeto positivo da redução do défice, redução essa que em 2018 irá ser feita pelos dividendos do crescimento através do aumento da receita e não pelo corte da despesa (filme que já vimos no passado…), e de algumas iniciativas do Ministério da Economia, se não tivermos reformas estruturais que alterem estas tendências negativas da produtividade, não conseguiremos ter um forte crescimento sustentado, essencial para reduzir em percentagem do PIB  os níveis elevadíssimos de despesa pública, carga fiscal, dívidas pública e privada.



Categoria: Opinião

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