LUIS LOPES PEREIRA

11 de Dezembro de 2017

AINDA MAIS TRANSPARÊNCIA

Tenho defendido que as parcerias entre empresas privadas e o Estado, na área da Saúde e até eventualmente noutras, podem ser benéficas para o país em geral. Para que tal aconteça seria preferível não discutirmos este tema no campo ideológico, pois trata-se de avaliar que serviços podem ou não ser fornecidos por particulares e em que condições beneficiam, em termos económicos e de qualidade, os serviços que o Estado financia aos cidadãos. Precisamos de melhor regulação do mercado e de estarmos todos de acordo relativamente aos termos em que avaliamos os fornecimentos privados ao Estado. Noto por vezes que, dependendo da entidade que avalia, surgem prismas e conclusões diferentes, aparentemente indo ao encontro ideológico de quem emite o parecer. Não me pronuncio relativamente ao próprio discurso político no campo da Saúde, pois parece-me quase sempre demasiado ideológico, especialmente num momento em que se devia apenas racionalizar os recursos existentes (público e privados) para melhor servir os cidadãos. Tanto da parte do Estado como da parte dos fornecedores temos que fazer o nosso trabalho de casa e tornar a atividade económica da saúde cada vez mais transparente. Só assim poderemos dissipar as dúvidas existentes relativamente às relações das áreas público-privadas, partindo do princípio de que uma não existirá sem a outra. As indústrias e fornecedores de medicamentos e de dispositivos médicos, tanto em sede associativa como individual, têm feito um esforço no sentido de tornar a sua relação com os profissionais de saúde cada vez mais transparente. É fundamental que a opinião pública não olhe para estas indústrias de forma diferente dependendo do ângulo para o qual olham para a sua atividade. Acontece frequentemente que estas indústrias não conseguem mostrar a cadeia de valor como um todo. Passando a explicar, quando surge uma tecnologia inovadora, toda a gente se congratula com o avanço e a melhoria das condições de vida dos doentes. Já na fase de introdução dessa tecnologia no mercado, as limitações e barreiras são muitas vezes exageradas, sendo as empresas acusadas em geral de querer acelerar o processo. O preço é quase sempre posto em causa, mesmo sabendo que atualmente são feitos estudos de assessment que têm de provar a eficiência económica terapêutica. Sem esses estudos não valerá a pena às empresas investir e registar um produto. A acrescentar ainda a reputação duvidosa da qual estas indústrias em geral são acusadas no que respeita à relação com os profissionais de saúde. Como em todas as indústrias, houve certamente no passado casos de abuso em que ambas as partes estão implicadas, mas não podemos generalizar essa situação, até porque as empresas deste setor estão submetidas a códigos de ética e compliance muito restritivos. Mas é sempre preciso ir mais longe. As indústrias de medicamentos e de dispositivos médicos devem saber passar à opinião pública toda a cadeia de valor que trazem para a saúde, desde a inovação do produto, passando pela investigação, até ao serviço de informação, formação e desenvolvimento dos profissionais de saúde. Podem fazer mais, para haver mais transparência e assim possibilitar uma relação comercial com o Estado que continue a ser realmente benéfica para a saúde dos cidadãos e, além de tudo, reconhecida por todos como tal. Podem até mudar os modelos de go to market, podem alterar as formas como prestam apoios à formação, mas sempre no sentido de tornar a relação mais transparente. Congratulo-me por isso com o novo código de ética e compliance que a Medtech, que reúne as associações de empresas de tecnologias médicas na Europa, vai ativar já a partir de janeiro de 2018.



Categoria: Opinião

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