LUÍS LOPES PEREIRA

8 de Novembro de 2016

Dr. Luís Lopes PereiraINOVAR PARA QUÊ?

Há um clima de vontade de inovar que tem que ser aproveitado e potenciado em Portugal. Nos últimos anos, o país tem vindo a ganhar consciência de que inovar também significa – ou deve sempre – trazer mais valor com maior eficiência. O povo português é conhecido por ter uma grande capacidade de adaptação. Se por um lado todos sabemos adaptar-nos e sobreviver com glória, por outro, alguns centros souberam incutir a capacidade de investigar e inventar. São conhecidas várias áreas científicas, nomeadamente ligadas à saúde, onde Portugal poderia capitalizar esse conhecimento numa perspetiva mais business oriented. Nas minhas conversas com as universidades, encontro muitos projetos que quase sempre tentam inventar um produto ou um serviço único, introduzindo ou desenvolvendo uma nova tecnologia. O facto é que o mercado oferece imensas oportunidades de inovar o que já existe, sendo que a diferenciação na forma como o produto ou serviço é disponibilizado ao cliente pode ser hoje fator de sucesso. Sabendo das ineficiências que os sistemas de saúde apresentam, a inovação que se espera sempre do lado da tecnologia (fármacos e dispositivos médicos) pode e deve ser alargada aos sistemas de informação, aos processos de encaminhamento e seguimento do doente, a toda a burocracia criada, recriada e implementada sem qualquer estratégia global, aos sistemas e culturas de comunicação entre prestadores, financiadores e autoridades reguladoras, enfim em todas as áreas que demonstrem ser portadoras de desperdícios. Há cada vez mais hospitais a procurar introduzir sistemas lean, muitas vezes começando pelas farmácias, mas estendendo para blocos operatórios e serviços de urgência. Embora estes processos não sejam novos, existindo para o efeito organizações já especializadas em unidades de saúde, quando falamos neles referimo-nos a técnicas geridas por especialistas. Na verdade, são de facto técnicas que podem ser iniciadas por especialistas, mas que são mantidas e geridas por todos os elementos de uma organização. Quando se introduz um processo lean, pretende-se iniciar uma cultura de busca contínua de desperdícios para que a organização se torne mais eficiente e mais eficaz. As pessoas que fazem parte dessa organização têm que entender que esse processo é, no fundo, uma introdução de uma nova cultura que requer a participação de todos. Doutra forma o processo lean não consegue ser implementado.  Estes processos de otimização das organizações não estão necessariamente ligados à redução de recursos humanos, pelo contrário, devem ser percecionados como oportunidades ao desenvolvimento e melhoria do capital humano, infraestruturas, sistemas de informação, ocupação de espaço, aperfeiçoamento de produtos e processos existentes, etc. Neste sentido, considero que a inovação deve ser sempre pensada e projetada tendo em vista a sua aplicação à realidade e medindo sempre o seu impacto em eventuais re-aculturações das organizações onde são aplicadas. Se não pensarmos nestes aspetos, para que serve a inovação sem um mercado?



Categoria: Opinião

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