LUÍS LOPES PEREIRA

10 de Maio de 2016

001-26-e1459968520879-300x162NOVAS PARCERIAS EM SAÚDE

Nos últimos anos, com a redução dos gastos em saúde, em Portugal, o investimento na renovação do equipamento e infraestruturas hospitalares apenas se verificou no setor privado, concretamente nos grupos privados prestadores de saúde. Com o desinvestimento, o setor público ficou sob a pressão dos números que resultaram na menor remuneração dos profissionais de saúde, na redução da atividade clínica, na limitação do acesso da população à tecnologia médica e a um quase desaparecimento do investimento público em novas infraestruturas, estando algum equipamento hospitalar em estado bastante degradado. Não encontrei números em concreto, mas quem trabalha e visita com regularidade os hospitais portugueses sabe e experiencia esta realidade.  Algum investimento foi conseguido com parcerias e dádivas de mecenas, mas esta via não poderá nunca resolver o assunto: a melhoria das unidades de saúde do SNS não é possível sem investimento público. Nas empresas, o equipamento é amortizado para que, no final da sua vida útil, haja recursos financeiros suficientes para fazer face à sua substituição. Este recurso financeiro está a ser aplicado noutras áreas que os hospitais carecem, adiando assim o reequipamento e a atualização tecnológica dos hospitais públicos. Recentemente foi anunciado pelo atual Governo a alocação de uma verba para reequipar os hospitais, uma medida promissora e muito necessária para o SNS, mas acredito que podemos e devemos procurar alternativas ao financiamento direto do Estado. Existem fundos de financiamento na União Europeia que são criados também para colmatar estas situações. O famoso plano Juncker iniciado em 2014 para estimular a economia e melhorar as condições nos países da União Europeia dedicou 315 mil milhões, aceitando projetos para várias áreas, entre as quais as infraestruturas na saúde. Portugal apresentou então mais de 100 projetos de diversas áreas, entre 2 mil da UE. Embora Portugal represente apenas 2% da população da UE, a percentagem de projetos situa-se assim bastante acima, nos 5%. Notável! Infelizmente, até 2015 nenhum dos 42 projetos já aprovados veio para Portugal. Desses, apenas três foram para a área da Saúde. Fazendo contas grosseiras, tomando esta como amostra da distribuição dos recursos até ao final do plano Juncker, e aplicando a percentagem da população, Portugal poderia teoricamente ter acesso a cerca de 450 milhões de euros para a área da Saúde. Mais do que o suficiente para que os hospitais públicos fossem totalmente reequipados com tecnologia adequada para enfrentar as próximas décadas de uma forma mais sustentável. Ainda vamos a tempo, pelo que penso ser importante que os vários parceiros na saúde usem as suas capacidades empreendedoras e apresentem projetos, procurando ajuda junto das várias instituições portuguesas, que estão disponíveis para apoiar a apresentação de projetos a diversos fundos internacionais de financiamento da saúde, como o Health Cluster Portugal (www.healthportugal.com) e o Creating Health (www.creatinghealth.ics.lisboa.ucp.pt).



Categoria: Opinião

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