LUIS LOPES PEREIRA

8 de Fevereiro de 2016

001 (26)O DESAFIO DOS DADOS DE SAÚDE

É do conhecimento comum que para um profissional de saúde cuidar bem de um doente precisa de ter dados sobre a saúde do mesmo, em quantidade e com qualidade adequada. Com o desenvolvimento das aplicações informáticas em todos os ramos das áreas de diagnóstico e terapêutica, temos a noção de que atualmente esses dados vão sendo criados em diferentes instituições ou em diversos departamentos intra-hospitalares, mas a forma como estão armazenados não permite uma consulta sistemática nem a introdução de novos dados para serem analisados posteriormente. A importância do diagnóstico para definição de um quadro terapêutico, hoje em dia, requer uma análise mais dinâmica do que estática, e a realidade da incidência de doenças crónicas no mesmo paciente requer dados transversais ao seu estado de saúde, de forma a tornar as decisões terapêuticas o mais eficientes possível. Mas se passarmos do ponto de vista clínico (em que os dados são essenciais para um tratamento adequado e personalizado do doente) para um plano científico e epidemiológico, os dados em saúde são centrais para a definição de uma estratégia que vise a proteção e promoção da saúde na comunidade e de uma política efetiva de saúde pública. Atualmente existe evidência publicada suficiente para se afirmar com segurança que quanto mais dados sobre os doentes existirem, melhor se dará resposta aos problemas de saúde pública, mais se contribuirá para a otimização dos recursos existentes e melhor se conseguirá melhorar a saúde do doente. Há publicações que referem um crescimento anual dos dados clínicos na ordem dos 40%, mas a utilidade e a interligação dos dados disponíveis deixa muito a desejar. Um exemplo disto é a implementação de diferentes sistemas informáticos num mesmo hospital sem estarem integrados entre si, ficando os dados limitados aos departamentos a que pertencem e impossibilitando o médico de uma especialidade de ter acesso à história clínica completa do doente nas diferentes especialidades. Assim, se por um lado assistimos à crescente criação de sistemas de armazenamento de dados por parte do setor informático, por outro temos utilizadores não-informáticos que não conseguem usufruir plenamente dessas plataformas e consequentemente da informação. Este é o verdadeiro paradigma da coleção de dados de saúde! Torna-se por isso importante criar mais fluxos, de forma a centralizar e ordenar a informação, e tornar o acesso cada vez mais fácil aos dados para que os profissionais de saúde os possam usar para benefício dos seus doentes e os decisores políticos os possam utilizar na definição de uma estratégia de saúde pública. A telemedicina ou aplicações de saúde poderão ser uma realidade importante nesta área, onde a comunicação entre quem cuida e quem é cuidado é importante para que haja um seguimento mais eficaz e eficiente e um caminho importante na coleção de dados. O facto de o mercado das telecomunicações se ter desenvolvido de forma exponencial tem permitido à telemedicina alargar o seu espetro e ser atualmente uma tendência irreversível e com um potencial crescente. Ao desafio de as empresas informáticas tornarem os dados mais acessíveis e controláveis por parte dos profissionais de saúde e doentes, há ainda um desafio paralelo do ponto de vista legal de desenvolver processos em que essa informação pertença a cada um de nós, mas possa ser usada, mantendo o direito à privacidade e equidade de acesso a setores, nos quais o estado de saúde pode ser utilizado de forma inadequada pelo contratante.



Categoria: Opinião

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