FERNANDO LEAL DA COSTA

8 de Fevereiro de 2018

LIGADOS, MAS PORQUÊ, PARA QUÊ?

Ninguém duvidará da importância do estabelecimento de ligações entre pessoas. Salvo os respeitáveis eremitas, a espécie humana tende a ser eminentemente social. Vivemos, nem sempre convivemos, trabalhamos, discutimos e amamos, em grupo, nem que seja aos pares.  Somos o “The Social Animal” que David Brooks tão bem retrata no seu livro que descreve o êxito de Harold e Erica, dois humanos que têm as capacidades não cognitivas, as capacidades escondidas, que nos levam à alegria e à realização. Nos tempos de hoje, a nossa capacidade de interação ultrapassa todas as distâncias. Vivemos ligados, não necessariamente conectados, sempre próximos de alguma notícia, da informação e de todos os outros. As redes sociais conferiram aos que por elas se interessaram um novo espaço, universal, de convívio, de partilha de quase tudo. Evoluiu-se para uma nova forma de vida aldeã em que não há desconhecidos, a exposição é constante e submetemo-nos, voluntariamente, ao juízo de todos os que se dizem, eufemisticamente, nossos “amigos”. Confesso que não sou adepto, nem participo em nenhuma rede social, exceto o LinkedIn, que é também uma forma de encontrar contactos. Em 1982, Greenblatt, Becerra e Serafetinides, investigadores da UCLA, publicaram, no American Journal of Psychiatry, um artigo sobre o papel das redes sociais na melhoria e preservação da saúde mental. Desde os anos 80, do século passado, com o advento da internet, do correio eletrónico, dos SMS e das “redes sociais”, tem havido um conjunto lato de novas possibilidades de investigação e aplicação destas formas de comunicação à distância para o acompanhamento e tratamento de pessoas com todo o tipo de problemas de saúde. No entanto, como em tudo, as redes sociais da internet comportam perigos que, por mais que nos sejam lembrados, ainda estão pouco estudados. A expansão destas redes é um fenómeno de resposta coletiva a uma necessidade criada. A vida destas redes é feita por quem nelas participa. Mas a sobrevivência das plataformas, sejam elas Facebook, Twitter, Instagram, ou o que mais houver, é o comércio que através delas e com elas se faz. Muito mais do que locais de serviço público, temos que o aceitar, estas redes são plataformas de interesses comerciais que têm servido para enriquecer muita gente. E há quem morra por causa destas redes. Há riscos para a saúde mental e física dos utilizadores que têm sido pouco prevenidos. Nesse sentido, o estudo “The Dangers of Social Media on Your Mental Health”, patrocinado pelo SNS inglês e realizado pela Homewood, é uma leitura obrigatória e um ponto de partida para quem se preocupa com os efeitos positivos, que são imensos, e os riscos das redes sociais no século XXI. Nem tudo o que luz é ouro, como disse o poeta.



Categoria: Opinião

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