CARLOS ZORRINHO

9 de Maio de 2012

FELICIDADE?

 Diz-me a experiência que há pelo menos duas chaves quase infalíveis para quebrar a barreira psicológica de alguém que queremos conhecer para além da imagem com que se apresenta (ou representa). Tentar adivinhar a sua ascendência astrológica ou perguntar-lhe se é feliz! A procura da felicidade é a marca de continuidade na história dos indivíduos e das comunidades e no entanto transformou-se numa espécie de tabu da modernidade. Falar de Felicidade é considerado ciência mole, pensamento débil ou, quando muito, pensamento positivo, mas quando se fala com seriedade do sentido da vida e da procura da felicidade, desperta-se em volta um sentimento de partilha e de consciência individual ou coletiva, que é o “fluido” vital para a transformação da sociedade e para o seu progresso sustentado. Depois duma “lição de sapiência” proferida na Universidade de Évora por ocasião do início do ano letivo 2008/09, em que abordei, com sentido provocatório, a Gestão da Felicidade, no quadro do meu trabalho de investigação sobre complexidade, decidi agora ir um pouco mais além na reflexão sobre a criação de condições para a felicidade (numa perspetiva de que a felicidade é a ausência de medo). Será que a Gestão da Felicidade pode ser um fio conductor para uma social-democracia de nova geração, baseada em políticas que promovam a educação para a cidadania, a inovação limpa e a aposta na multiculturalidade, na tolerância e no empreendedorismo? O resultado é um pequeno ensaio, magistralmente prefaciado por António de Almeida Santos e publicado pela Bnomics (Lisboa 2012). “Gestão da Felicidade – ensaio sobre um futuro desejável no Mundo, na Europa e em Portugal” é um texto que se lê depressa, mas que, acredito, pode deixar marcas transformadoras em quem o ler, concordando, duvidando ou mesmo rejeitando a abordagem nele feita. É um texto que interroga e cujo mérito não me compete a mim, que sou seu autor, avaliar. Acredito, no entanto, que não deixará ninguém indiferente e que se insere na “linha da frente” que esta revista, até pelo seu título, procura promover. Por isso arrisco falar aqui dele e sugerir a sua leitura. Precisamos de desassossego. De mexer com as ideias feitas. De quebrar enguiços e maldições. O future nunca é aquilo que foi. Gerir a felicidade pode ser uma utopia, mas é uma utopia que pode mover montanhas. E é disso que precisamos. De mover montanhas!



Categoria: Opinião

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