CARLOS ZORRINHO

7 de Julho de 2017

zorrinhoGERAÇÃO ERASMUS

Os 30 anos do programa Erasmus, que visava na sua conceção inicial fomentar o intercâmbio de estudantes entre universidades europeias, foi assinalado dia 13 de junho com uma cerimónia de elevado significado, durante o Plenário de Estrasburgo do Parlamento Europeu. O ministro da Educação de Portugal, Tiago Brandão Rodrigues, participou nessa cerimónia, como antigo estudante no âmbito do programa. Segundo as estatísticas, nas últimas três décadas mais de 9 milhões de jovens europeus realizaram parte da sua formação num país da União Europeia diferente daquele onde nasceram ou decidiram estudar. Estima-se que dos relacionamentos estabelecidos, de diversa índole e estatuto, terão nascido mais de um milhão de bebés, filhos de pai e mãe europeus, mas de diferentes nacionalidades. O programa Erasmus evoluiu, entretanto, para cobrir outras áreas que não apenas a mobilidade para fins de aprendizagem. Com um orçamento no atual quadro de programação financeira (2014/2020) de 15 mil milhões de euros, o Erasmus (agora Erasmus+) apoia também a troca de boas práticas e de experiências empreendedoras, o desenvolvimento partilhado de políticas de educação, formação e juventude, a inclusão de cursos sobre integração europeia nos diversos graus de ensino, o intercâmbio desportivo e também a mobilidade fora do território europeu.  A geração Erasmus é hoje um dos grandes pilares do projeto europeu. Com um nível de envolvimento e participação política e cívica nas questões europeias muito superior à média, os estudantes Erasmus são também maioritariamente pró-europeus e mais tolerantes à diversidade cultural que dá cor e identidade ao nosso projeto comum. O Erasmus é também um exemplo de programa inclusivo direcionado não para um segmento da sociedade, mas para todos os estudantes. Dizer que se vai fazer, se está a fazer, ou que se fez um programa Erasmus tornou-se algo que orgulha quem o afirma, independentemente dos recursos ou do estatuto social, o que é extraordinário e dá ao programa um valor político e social único. Para manter este cunho universal, o programa precisa de ser complementado com medidas que permitam que todos o possam fazer, designadamente através de bolsas especiais ou empréstimos garantidos para os que disso necessitem e para que ninguém seja deixado para trás. Nas últimas décadas, a União Europeia tem lançado muitos programas de grande sucesso e impacto. Se tivesse que nomear apenas um, como o mais importante, escolheria sem dúvida o Erasmus. A geração Erasmus está aí para comprovar a validade da minha escolha.

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Categoria: Opinião

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