CARLOS ZORRINHO

8 de Junho de 2017

ZORRINHOFRANCISCO

Escrevo este texto algumas horas depois de ter terminado a histórica e comovente visita do Papa Francisco a Portugal. Sou crente. Sou cristão. Respeito profundamente todas as opções religiosas. Respeito as múltiplas fés, o agnosticismo e o ateísmo. Sou por natureza pouco dado a radicalismos, a certezas absolutas ou a tentações de supremacia. Tenho uma relação muito própria com a minha espiritualidade. Não gosto de dogmas. Revejo-me na interrogação permanente e no diálogo intenso entre o que sou e o mundo que me rodeia. Dito isto, quero sublinhar a força imensa do Homem que é hoje o cardeal de Roma. Uma força transbordante que senti no imediato momento em que soube da sua nomeação e do nome que tomou e que desde esse momento mágico me emociona em cada momento que o oiço, que o leio, que o vejo ou que nele penso. Refletir sobre a força imensa de Francisco ajuda-nos também a ter uma visão serena sobre a força dos lugares, das pessoas, dos momentos e das circunstâncias. A comemoração dos 100 anos das Aparições em Fátima fez correr rios de tinta e acalorados debates sobre a natureza dessas aparições, o seu sentido real e simbólico, o seu contexto teológico, sociológico e político e a separação entre o espiritual e o material em todo o fenómeno que caracteriza hoje Fátima enquanto centro religioso, social e económico. Acredite-se naquilo que se acreditar, Fátima é um daqueles lugares em que, seja pelas características geomorfológicas e pedológicas, seja por fatores espirituais e pelos acontecimentos que ali são localizados, seja pela comunhão de gentes em sintonia, concede a quem o visita em recolhimento e respeito, uma suave e doce sensação de plenitude. Em Portugal e no mundo tenho encontrado muitos outros lugares assim. Normalmente lugares que os povos das diversas crenças e opções religiosas escolheram para erigir os seus templos ou os seus lugares de reflexão ou oração. Estes não emergem por acaso, mas porque a história ou a energia dos lugares a isso conduz. Fátima vale por si mesma e pela sintonia que proporciona com a procura do transcendente, da força mística e do porquê espiritual das coisas, que desde sempre caracterizou a natureza humana. É como Francisco. Ele é o cardeal de Roma, tem uma longa história de vida, uma grande humildade e uma enorme cultura. Mas o Homem, na sua imensa simplicidade vale por si, para milhões de católicos, mas também para milhões de outros seres humanos que não professam a sua religião. Atrai, emociona, junta, interage, faz e incita à ação. É um peregrino e um aliado dos peregrinos e das peregrinações, exteriores ou interiores, dos homens e das mulheres que caminham, sejam quais forem os seus credos, ao encontro de si mesmos e de uma vida mais realizada, feliz e com sentido.



Categoria: Opinião

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