CARLOS ZORRINHO

4 de Agosto de 2016

ZORRINHOCOLIGAÇÃO PELA EDUCAÇÃO

Em momentos de dificuldade como aqueles que a União Europeia atravessa, para além de resistir à tempestade, é necessário retomar o caminho do crescimento e da criação de oportunidades de realização pessoal e profissional, que permitam ganhar a confiança dos cidadãos para a construção de um futuro comum. Dos muitos pilares fundamentais que merecem ser revisitados, a educação e a qualificação assumem um papel chave. São fatores críticos de desenvolvimento e tornam-se ainda mais importantes em tempos de disrupção e mudança. O medo que induziu um voto maioritário do povo britânico a favor da saída da União Europeia foi, em parte, induzido pela dificuldade de os trabalhadores ingleses responderem às oportunidades de trabalho geradas pela evolução da economia inglesa, por não disporem das qualificações adequadas.  Um pouco por toda a UE, e em Portugal também, convivem no mesmo território altas taxas de desemprego e baixas taxas de disponibilidade de mão-de-obra qualificada, em particular para responder às novas necessidades dos serviços e das empresas baseadas em novas tecnologias de informação e comunicação. Neste quadro, a apresentação pela Comissão Europeia de uma Agenda para as Novas Competências na Europa, articulada em torno de três eixos e 10 compromissos de ação, é um passo no rumo certo e que deve ser traduzido em ações concretas e rápidas. Nessa comunicação, divulgada em 10 de junho, a Comissão propõe como prioridades melhorar a qualidade e a relevância das competências adquiridas, tornar as competências e as qualificações mais visíveis, adequadas às necessidades e comparáveis, e divulgar informação que permita às pessoas fazerem escolhas informadas nos seus processos de formação e opção profissional. Para que estas prioridades passem do papel ao terreno, a Comissão Europeia assume 10 compromissos a cumprir até ao final de 2017 e que inclui a criação de uma “Garantia de Competências” para validar, reconhecer e proporcionar a atualização das competências de cada cidadão, a revisão das tipologias em vigor, uma aposta acrescida na educação e na formação vocacional, a aplicação de um sistema de qualificação para refugiados e migrantes, o fornecimento de informação sobre as competências necessárias na economia e o desenvolvimento de projetos piloto em setores estratégicos para a economia europeia. Um dos compromissos contidos na comunicação em análise é o fomento, no plano europeu e nos diversos planos territoriais, das designadas “coligações pelo emprego e pelo digital” que têm como objetivo assegurar que o maior número possível de cidadãos na Europa detenham as competências digitais e as condições de acesso aos meios tecnológicos necessários para que possam desenvolver atividades competitivas à escala global. Uma coligação por uma paixão de hoje e de sempre. Pela educação que liberta e vence o medo. Pelo futuro da Europa e do planeta. Oxalá seja uma coligação vencedora.



Categoria: Opinião

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