ANTÓNIO SARAIVA

6 de Abril de 2019

DESAFIOS EUROPEUS SÃO DESAFIOS PARA PORTUGAL

Entre as principais mudanças estruturais da nossa economia, na última década, está o facto de sermos hoje uma economia mais internacionalizada, onde o peso dos setores exportadores de bens e serviços é substancialmente maior. Em contrapartida, aumentou a exposição da economia portuguesa aos desenvolvimentos internacionais, bem como a sincronia cíclica entre Portugal e a Europa, onde estamos mais intensamente integrados. Isto não quer dizer que não seja possível acelerar o processo de convergência de Portugal no quadro europeu. A comprová-lo estão as taxas de crescimento mais elevadas do que as observadas no nosso país no último trimestre de 2018, em pelo menos 18 países da União Europeia, a maioria dos quais com uma maior abertura ao exterior do que Portugal. Mas significa seguramente que os desafios da zona do euro e da União Europeia para os próximos anos são, cada vez mais, desafios para Portugal. Aproximando-se um novo ciclo institucional na Europa, com as eleições de maio para o Parlamento Europeu, é bom tomarmos consciência da nossa pertença ao projeto europeu, do qual depende, em larga medida, o nosso futuro e a nossa prosperidade. Para que este projeto comum seja capaz de mobilizar as vontades dos seus povos, precisa de avançar em duas frentes inter-relacionadas, onde residem hoje os seus problemas fundamentais: a coesão económica e social, sem a qual não será possível construir a coesão política; a capacidade de responder às aspirações de maior bem-estar material e de maior equidade dos seus cidadãos. Aspirações essas que só podem ser alcançadas com mais e melhor crescimento económico, que só as empresas podem proporcionar. Como principais criadoras de emprego e de valor económico, as empresas têm um papel central a desempenhar no projeto europeu. Para potenciar esse papel, a Europa precisa criar um ambiente atrativo para a competitividade e a inovação empresarial, libertando-se do peso de regulamentação desnecessária e demasiado onerosa, dos elevados preços da energia e de outros fatores que tornam excessivos os custos da atividade empresarial na Europa, especialmente para as PME. Além disso, a União Europeia, como um todo, pela sua dimensão e pelos confortáveis excedentes externos que gera, tem a possibilidade e a responsabilidade de estimular o crescimento através de uma estratégia macroeconómica global coerente, nas suas vertentes estrutural, orçamental e monetária. Está, presentemente, a desperdiçar essa força e as vantagens que lhe proporcionaria uma verdadeira união económica. É preciso, por isso, completar o mercado único (contrariando a introdução de medidas nacionais que prejudicam o seu bom funcionamento) e aprofundar a União Económica e Monetária.
No período eleitoral que se avizinha, prestemos atenção a estes temas, menos mediáticos do que tantos outros que ocupam mais espaço nos discursos de campanha, mas dos quais depende a prosperidade que desejamos para Portugal e para a Europa.



Categoria: Opinião

Bem vindo à Frontline

Iniciar sessão

Esqueceu-se da senha?

Criar Registo Neste Site

captcha image