ADRIANO MOREIRA

8 de Junho de 2017

UM MISSIONÁRIO DA PAZjcf_2402

A visita do Papa Francisco a Fátima, que é hoje um centro fundamental de espiritualidade dos cristãos, aconselha a recordar que veio aqui depois de na ONU, em setembro último, ter proferido um discurso que é a mais clara mensagem de um Missionário da Paz. Foi a quinta vez que um Papa foi recebido nas Nações Unidas, sempre num período que não foi de tranquilidade militar no globo, sendo os Papas anteriores: Paulo VI em 1965, João Paulo II em 1979 e 1995, e o Papa Emérito Bento XVI em 2008. Embora qualquer das visitas fosse numa época de inquietação global no mundo, existiu alguma variação na circunstância em que decorriam as relações entre os povos. Quando ali foi Paulo VI, vigorava ainda o espírito dos estadistas que queriam impedir que a ordem proposta pela Organização fosse substituída pela ordem dos Pactos Militares (NATO – Varsóvia) sempre em risco de passarem à ação, sendo ele quem formulou a regra de que o desenvolvimento sustentado era o novo nome da paz. A crise económica e financeira em que o globo se encontra e a “guerra em toda a parte” que os especialistas assinalam não mostram que a mensagem fosse bem entendida e praticada. Os pobres continuam “a morrer mais cedo” e os Estados incapazes de responder aos ataques da natureza – terramotos, inundações, pestes, fome – são mais de metade dos inscritos na Organização. Pode ser que a repetição das visitas papais venha a ter algum fruto, ainda que a circunstância que o globo enfrenta tenha variado. Não é necessário fazer comparações pessoais dos titulares do poder de governar, mas não pode nem deve ignorar-se que não se encontram estadistas com a dimensão do saber e do saber fazer que caracterizaram a intervenção dos que finalmente decidiram, sem retaliações contra os causadores da Segunda Guerra Mundial, assegurar o “nunca mais”. Mas anima que tenham querido ouvir o Papa novamente, precisamente quando a crise mundial, económica e financeira anda emoldurada pela guerra em toda a parte, com os “complexos financeiros-militares” preservados da crise, sendo milhares as crianças em combate e as imigrações a desafiar a estabilidade das sociedades europeias. As últimas palavras do discurso memorável foram estas: “a louvável construção jurídica internacional da Organização das Nações Unidas e de todas as suas realizações – memorável como qualquer outra obra humana e ao mesmo tempo necessária – pode ser penhor de um futuro seguro e feliz para as gerações futuras”. Sê-lo-á se os representantes dos Estados souberem pôr de lado interesses setoriais e ideológicos e procurarem sinceramente o serviço do bem comum. É esta ideia do bem comum que parece falhar, perigosamente, em muitas das organizações governamentais que se encontram em exercício e não substituem o sentimento de superioridade perante os diferentes pela atitude do respeito, nem o confronto belicoso pelo diálogo construtivo. A ONU, pelos seus estatutos, é com o respeito pela sabedoria que procura ouvir líderes excecionais como o Papa Francisco, o Papa que os cardeais foram “procurar ao fim do mundo”. Para ajudar a salvar o mundo, com justiça e paz.



Categoria: Opinião

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