CARLOS ZORRINHO

4 de Abril de 2017

zorrinhoCOMUNIDADES INTELIGENTES

 A FRONTLINE faz 10 anos. Só com grande persistência, qualidade e determinação foi possível ultrapassar anos de grande crise e persistir como uma publicação de referência no panorama editorial português. Tenho sido colaborador da revista nos últimos anos. Tem sido um privilégio que agradeço. Parabéns e felicidades para que possam continuar a escrever a história do futuro. É sobre a história do futuro que versa este texto. Assistimos a uma radical revolução tecnológica na capacidade de produzir, armazenar, processar e transmitir dados, transformando-os em conhecimento útil para a ação. O garimpo dos dados como novo tesouro é uma das principais atividades económicas dos nossos dias e uma das condições de base para o sucesso e a competitividade de muitos modelos de negócio. As pessoas, individualmente ou em comunidade, têm que ser os principais beneficiários da nova onda. Está na moda a ideia de que tudo o que se faz de novo tem que ser “smart”, ou seja, inteligente. No momento em que se mexe, por indução tecnológica, nos alicerces do modelo de funcionamento de uma sociedade, a oportunidade de a reconfigurar introduzindo-lhe propósito e inteligência, não pode ser desperdiçada. As sociedades desenvolvidas vivem uma crise de motivação. Atingiram, em média, patamares de progresso baseados num consumo de recursos que é insustentável se o modelo de crescimento e desenvolvimento seguir a mesma linha que seguiu nas últimas décadas. Esta constatação óbvia gera incerteza, medo e descrença. O desafio é que passe a gerar esperança, porque constitui uma enorme oportunidade de focar o modelo social no bem-estar das pessoas e na sustentabilidade do planeta. A sociedade acelerou. A aceleração mudou perceções, significados e escolhas. Com os dados, a informação e o conhecimento, precisamos desenhar novos roteiros interiores e novos mapas de vida em comunidade, em que a dignidade e a realização sejam o foco principal. As comunidades não se reconfiguram pela simples adição de tecnologia nem pela visão iluminada de alguns líderes transformadores. É preciso garantir a todos os cidadãos acesso consciente e qualificado a experiências de uso e benefício das redes de informação e serviços, garantindo ao mesmo tempo benefícios concretos desse acesso, na segurança, na saúde, na educação, na relação com a administração, na participação na vida em sociedade e no lazer, sem prejuízo dos direitos de proteção e privacidade. A nova sociedade digital a gigabits, neutral no acesso à internet, visa promover a competição entre tecnologias, atacar as limitações produzidas pelas condições económicas ou geográficas e tirar o máximo partido dos valores embebidos nas plataformas e nos modelos de conexão. Comunidades inteligentes serão comunidades mais justas, mais colaborativas, mais participativas e com maior sentido de partilha e projeto comum. Como relator no Parlamento Europeu da iniciativa WIFI4EU, que visa contribuir para reconectar os cidadãos com o projeto europeu, proporcionando experiências de qualidade no acesso à sociedade europeia a gigabits, tenho o sonho de ajudar os meus concidadãos a usarem a oportunidade de reconfiguração que a revolução tecnológica induz, criando comunidades mais inteligentes como base de um mundo melhor.

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Categoria: Opinião

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