LUÍS MIRA AMARAL

6 de Fevereiro de 2015

LMAEÓLICAS E A DEPENDÊNCIA ENERGÉTICA

Na “Quadratura do Círculo”, António Costa atacou o Governo por bloquear a grande reforma estrutural do setor energético do governo Sócrates, a qual teria reduzido a nossa dependência energética. Escrevi-lhe uma carta a convidá-lo para almoçar e explicando-lhe que ele não tinha razão, estava até a ser muito injusto para o atual Governo, e isto porque: Moreira da Silva, com o apoio do primeiro-ministro, é um digno continuador dessa política que levou à criação em Portugal de um verdadeiro monstro elétrico; não houve nenhuma reforma estrutural que nos tenha reduzido essa dependência energética. No setor elétrico já não usamos petróleo para produzir eletricidade nas centrais térmicas. Dos 800 milhões de euros que o lóbi eólico diz que se poupa de importação de carvão e gás natural com o uso das renováveis, parte significativa é devida à velha hídrica dos tempos do meu saudoso professor do IST e grande ministro da Economia Ferreira Dias. Mas essa poupança de carvão e gás natural conseguida (inferior aos tais 800 milhões de euros) é feita à custa dum investimento de cerca de 5000 milhões de euros (!) só em centrais eólicas, ainda sem contar com o custo das duas muletas das eólicas – centrais de bombagem e armazenamento de noite (quando há vento e não há consumo) e térmicas de dia (quando há consumo e não há vento) – e das linhas de transporte que foi preciso construir. Isto leva-nos a um preço efetivo da eólica de mais de 160 euros por Mwh! Essa redução do consumo do petróleo deveu-se à crise económica e ao abastecimento das nossas frotas em Espanha por razões de diferencial do IVA. Analisando as estatísticas da Direção-Geral de Energia e Geologia, a redução da dependência energética entre 2005 e 2012 deve-se quase exclusivamente à redução dos combustíveis líquidos de derivados do petróleo nos transportes, com uma quebra de 20,7% e que conduziram a uma redução da importação de ramas e derivados em 25,2%, conjugada com o aumento das exportações de produtos refinados em 80,3%, permitida quer pela margem deixada em capacidade de refinação não usada para o consumo interno, quer pelo investimento no parque refinador da GALP. O abastecimento em Espanha das nossas frotas de camiões também contribui para isso, como referido. Neste contexto, o imposto sobre o carbono, agravando esse diferencial em relação a Espanha, vai dar mais um contributo para a redução da dependência energética! Assim, a queda de dependência energética de Portugal de 88,8% em 2005 para 79,4% em 2012 não teve nada a ver com as renováveis, mas sim com os combustíveis para o transporte! A grande reforma estrutural na energia será a redução do consumo de petróleo nos transportes por alteração do sistema de transportes, deixando-o para atividades industriais mais nobres, mas isso não foi feito! Costa não me respondeu, pois um candidato a primeiro-ministro não perde tempo com um modesto soldado da infantaria cavaquista, mas passou a apoiar entusiasticamente Moreira da Silva!



Categoria: Opinião

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