LUÍS MIRA AMARAL

6 de Julho de 2008

ECONOMIA, BOM SENSO E ENERGIA NUCLEAR

 

Depois de uma experiência no Governo, o actual presidente do banco BIC em Portugal fala da crise e da situação económica no mundo. Não tem dúvidas de que a dependência energética não é nova, mas acredita que uma crise com estas dimensões pode servir de educação. Somos pequenos, desordenados e gastamos de mais. Mudar de hábitos devia ser uma demonstração de maturidade e um sinal de inovação. Lembrando discussões de outros tempos, reafirma a sua fé no nuclear: os resíduos são um problema, mas a energia nuclear é a solução inteligente para substituir o petróleo.

 

Não é um político de carreira mas esteve mais de 10 anos no Governo. Como vê esses anos?

Devo dizer-lhe que não sou político nem me interessava fazer carreira política. Estive no Governo porque achei que a oportunidade de tornar o País mais competitivo, era uma actividade motivadora. Foi uma boa altura, tínhamos recebido volumosos fundos da Comunidade Europeia, estávamos já a tratar da moeda única e Portugal tinha credibilidade internacional. Eram vários os motivos para se ter confiança. Hoje questiono-me se valeu a pena o sacrifício! Reconheço que o governo do engenheiro Sócrates tem sido melhor que os anteriores governos do PS (António Guterres) e do PSD/PP que sucederam ao engenheiro Guterres. O governo de Sócrates começou um trabalho com alguma coragem política, mas ficou a meio do caminho quando lhe desabou esta crise em cima.

 

Poderia ter sido prevista? Já havia indicadores?

É difícil prever uma crise com estas características. A crise energética era previsível, com a emergência das grandes potências asiáticas (Índia e China) e o aumento da pressão da procura sobre a oferta do petróleo. Este é um choque petrolífero feito pelo lado da procura, ao passo que os anteriores tinham sido pela retracção da oferta. É difícil prever uma crise desta dimensão, embora fosse previsível que a hora da mudança do petróleo para outros combustíveis acontecesse mais dia menos dia. Confesso que não previa a crise financeira que se abateu sobre nós. Foi chocante a irresponsabilidade do sistema financeiro americano, que não teve consciência do seu papel mundial. Como também não seria previsível a crise alimentar que lhe sucedeu. Porque já pensávamos que o problema da fome, melhor ou pior, estaria resolvido no resto do mundo… (…)

 



Categoria: Grande Entrevista

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