MADEIRA

29 de Julho de 2015

FOTO DR. EDUARDO JESUS 2“QUEREMOS FAZER DA REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA A TERRA DA FELICIDADE, PARA QUEM AQUI HABITA E PARA TODOS”

Eduardo Jesus, o secretário Regional da Economia, Turismo e Cultura da Madeira, falou, em entrevista à revista FRONTLINE, das prioridades do seu mandato e destacou a atuação nas áreas da economia e da cultura, incluindo o turismo e os transportes, como os principais desafios. Não há dúvida de que os desafios que se colocam ao Turismo regional são muitos, mas a quais importa dar respostas imediatas?

A promoção é, claramente, um desafio ao qual teremos de saber responder, de forma imediata. É nessa lógica que traçámos um plano mais ambicioso, atrativo e prolongado no tempo, que, dando maior notoriedade ao destino, suscitará uma maior procura, quer por parte dos nossos mercados estratégicos, quer por parte daqueles que se possam assumir como oportunidades. Simultaneamente, coloca-se o desafio de olharmos, analisarmos e repensarmos os nossos eventos de animação turística, enriquecendo-os em matéria de conteúdos, descentralizando-os, prolongando-os no tempo e adequando-os às motivações que, hoje, fazem os turistas escolher um destino, em detrimento de outros. Acresce ainda, como desafio imediato, a necessidade de avançarmos com a requalificação da nossa oferta turística, em particular do parque hoteleiro. Estes são apenas três dos muitos desafios que desejamos ultrapassar, com sucesso, tendo sempre como base o apoio e a colaboração dos parceiros privados do setor.

Qual será a verba destinada à promoção do destino Madeira? O que está pensado para promover ainda mais este destino?

Em 2015, a promoção do destino Madeira contará com um orçamento a rondar os 18 milhões de euros, montante que resulta do somatório das verbas afetas à Direção Regional do Turismo e à Associação de Promoção da Madeira. Com este valor, pretendemos reforçar a visibilidade e a maior notoriedade do destino Madeira, junto dos seus principais mercados emissores, apostando claramente numa promoção mais direcionada ao consumidor final, ainda que mantendo as campanhas em co-branding com os canais de distribuição, quer sejam eles tour operadores, companhias áreas ou outros. Importa referir que a aposta no online será reforçada, bem como nas fan e nas press trips que se revelem oportunas e com capacidade de retorno para consolidar a imagem da Madeira nos mercados.

 

Em que mercados vão apostar mais?

Mantendo a aposta nos mercados considerados tradicionais para a Madeira – como é o caso da Alemanha, do Reino Unido, da França e, de forma vincada, da Escandinávia – e sem esquecer os mercados emergentes, iremos reforçar a nossa intervenção junto do mercado português, que merecerá particular atenção, através de um programa integral de reativação do destino, a desenvolver junto dos vários stakeholders.

Qual a importância do mercado continental para a Madeira?PORTO SANTO PRAIA

O mercado nacional é fundamental para a Madeira e para a sua estabilidade, enquanto destino turístico. Lidera, aliás, o top 5 dos principais mercados emissores de turistas para a Região. Trata-se de um mercado de proximidade que queremos acarinhar e impulsionar, estando por isso previstas, a breve prazo, algumas ações inovadoras que visam despertar a procura, especialmente por parte daqueles que ainda não conhecem as nossas potencialidades.

Em termos de requalificação de oferta hoteleira, quais são as prioridades?

Entre outras medidas, é prioritário completar a implementação do plano de intervenção em curso, que revê a classificação do parque hoteleiro. Simultaneamente, é crucial o desenvolvimento de uma outra ação que visa, numa primeira fase, prevenir os agentes e, numa segunda, fazer cumprir todas as disposições existentes, que visam a salvaguarda das qualidades intrínsecas do próprio destino e que fazem com que o mesmo seja reconhecido pela sua excelência.

Considera que existem hotéis a mais na Madeira?

Considero que a Madeira tem uma oferta hoteleira que precisa de ser requalificada, reposicionada e reorientada para maiores ganhos, a favor do setor e da economia regional. Julgo que precisamos de rentabilizar e maximizar as nossas unidades hoteleiras segundo conceitos que respeitem a nossa identidade, de modo a que se afirmem no produto global, de qualidade, que a Madeira é. O número de camas deve resultar da dinâmica do mercado, que está diretamente relacionada com os indicadores de ocupação, rentabilidade e atualidade, entre outros. Não devemos interferir na oferta sem que o mercado seja capaz de permitir o equilíbrio com a procura.

Como pode esta região ser também um destino onde conceituadas marcas internacionais operam tanto na hotelaria como noutros serviços?

Julgo que precisamos de ganhar uma outra visibilidade. A Madeira precisa de comunicar o seu posicionamento como um destino de excelência, fazendo valer a sua identidade e as suas especificidades junto da procura efetiva e potencial, especialmente da classe social mais alta, sem esquecer a procura ativa que hoje já não se deixa caracterizar pelo escalão etário. Penso que este será um processo a médio/longo prazo, mas acredito que só pelo caminho da notoriedade é que poderemos transformar a Madeira num destino apetecível aos olhos das grandes marcas internacionais, seja na vertente hoteleira, seja na vertente da oferta complementar. Um outro aspeto importante para atingir esse objetivo prende-se com a rentabilidade do setor, que permite aferir, entre outros, o retorno dos investimentos realizados no mesmo. O nosso RevPar tem vindo a evoluir muito positivamente, com crescimentos acima da média nacional, permitindo-nos convergir para os valores de referência que fazem despertar os interesses das grandes marcas internacionais. Estamos certos de que o caminho é este e que com o tempo lá chegaremos. Na verdade, trata-se de recuperar uma realidade que já foi a nossa.

ZONA HOTELEIRA FUNCHALConsidera que o calendário de eventos da Madeira e os próprios eventos necessitam de uma reestruturação? O que está pensado?

Considero que a Madeira tem excelentes cartazes turísticos, devidamente consolidados e internacionalizados, que devem servir de inspiração aos restantes, porque é disso que se trata: queremos transformar cada um dos eventos de animação turística na sua atratividade e capacidade de despertar interesse junto dos nossos turistas, tal como já hoje acontece com as festas de fim de ano ou com a reconhecida Festa da Flor. Neste momento, concluímos uma análise criteriosa que, incidindo também sobre o retorno de cada evento para a economia regional, permite-nos aferir em que medida é que podem vir a existir alterações, quer em termos de figurino, prazo, datas, envolvimento da população, ao nível da comunicação e promoção externa, entre outros parâmetros. No fundo, julgamos que cada iniciativa de animação deve ser mais atrativa aos olhos dos nossos turistas, mas, simultaneamente, capaz de gerar mais receitas e, consequentemente, efeitos positivos para o desenvolvimento económico desta Região.

Que alterações podemos esperar?

As alterações a introduzir decorrem das potencialidades identificadas e daquilo que são os nossos recursos disponíveis a afetar. É muito provável que se assista ao reescalonar no tempo de alguns eventos, ao prolongamento da sua duração, à descentralização da sua realização, envolvendo mais concelhos da Região e mesmo a participação de entidades especialistas em cada uma das temáticas. Temos, também, o propósito de colocar a cultura ao serviço do turismo, tornando-a transversal e uma componente “chave” do processo que nos permita a salvaguardada da nossa identidade.

Um dos obstáculos que o destino Madeira tem são as ligações aéreas e os custos associados. O que pode e está a ser feito para alterar esta situação?

Para um território insular e ultraperiférico como é o nosso caso, as acessibilidades externas assumirão, sempre, um peso importante, que se reflete em vários sentidos e não apenas na vertente turística. Relativamente à questão que me coloca, é evidente que queremos captar mais companhias para a Madeira, porque acreditamos que a existência de concorrência possibilita, sempre, um nivelamento de preços que acaba por ser inferior e, consequentemente, mais competitivo para aqueles que nos queiram visitar e para os madeirenses que também se desloquem para fora da Região. É fundamental que chegar ao nosso destino seja, progressivamente, mais fácil e barato, e naturalmente que, para o caso da população residente, é importante que possa existir uma maior oportunidade de escolha, de preços e de frequências. Temos vindo a trabalhar e a contactar com diversas companhias e operadores, nacionais e internacionais, e estou confiante de que teremos novidades, a este nível, a curto/médio prazo. Importa aqui recordar que, em apenas três meses, a Madeira conseguiu recuperar a operação da British Airways para o Reino Unido, estabeleceu uma operação de verão para Madrid – que pode ser prolongada – com a Iberia e estamos empenhados em trabalhar para que mais operações possam vir a ser estabelecidas, sobretudo no período de inverno. Importa também frisar que, neste verão, o Porto Santo conta com oito operações aéreas sazonais.

 

As ligações marítimas entre a Madeira e o continente são uma prioridade? Para quando podemos esperar novidades?

Sim, é um dossier prioritário sobre o qual nos temos debruçado, porque, acima de tudo, foi um compromisso deste Governo para com a população residente na Madeira e no Porto Santo. Existe um grupo de trabalho que se encontra, neste momento, a elaborar o caderno de encargos que deverá servir de base ao Concurso Público Internacional que, conforme tornado público pelo primeiro-ministro aquando da sua recente visita à Região, deverá ser lançado pelo Governo da República. Paralelamente, têm vindo a ser estabelecidos contactos com vários armadores, nacionais e estrangeiros, podendo adiantar-lhe que para já existem, pelo menos, oito interessados nas condições da exploração desta linha. Permita-me acrescentar que a experiência do armador anterior deu-nos a possibilidade de ter em linha de conta alguns aspetos que, no fundo, pretendem garantir que a operação a ser estabelecida agora não venha a sofrer das mesmas dificuldades que sofreu no passado, o que nos deixa algum conforto nas negociações que estamos a desenvolver.

Qual será a estratégia do Governo para captar o mercado dos cruzeiros para a Madeira?

A estratégia passará pela efetiva afirmação da Madeira, enquanto destino de cruzeiros, através do reforço da promoção nos mercados, que ganhará maior intensidade e evidência a partir de agora, através da Associação de Promoção da Madeira, entidade que passou a concentrar toda a área promocional do destino. É fundamental que o porto do Funchal passe a constar da mensagem que, globalmente, se vende da Madeira. É mais uma oferta que temos, é mais uma experiência que podemos oferecer e devemos saber potenciar, junto dos nossos turistas. Competindo a par e passo com o porto de Lisboa, no que toca à liderança nacional dos cruzeiros, convém aqui referir que o porto do Funchal apresenta, no primeiro semestre deste ano, um crescimento de 5,5% nas escalas e de 18% no que toca aos passageiros, comparativamente a igual período de 2014. Se as reservas efetuadas até ao momento se confirmarem, deveremos encerrar este ano com um crescimento de 11%. Falamos de um mercado que é responsável pela vinda de mais de meio milhão de passageiros ao ano, até ao Funchal, influenciando com isso, diretamente, a dinâmica do comércio local e, consequentemente, da economia regional. Temos como propósito estreitar a ligação entre as duas portas de entrada na Região: um turista que chega através de um cruzeiro poderá ser um cliente potencial da hotelaria tradicional. Neste domínio, já muito estamos a fazer para conseguir tirar proveito do mercado “flutuante” que nos visita todos os anos.

Quais são os objetivos da sua Secretaria para os próximos anos?FOTO DR. EDUARDO JESUS 3

Queremos consolidar políticas que nos permitam afirmar a Madeira no exterior, ganhando o mercado que nos falta cá dentro e sustentando uma presença que nos garanta a notoriedade positiva que alimenta o entusiasmo por este mercado. Internamente, queremos impulsionar a economia regional, através da dinâmica empresarial e do emprego. Importa dizer que, só nestes três primeiros meses de governação, já lançámos quatro importantes sistemas de incentivo ao investimento que permitem injetar na economia, até 2020, cerca de 113 milhões de euros, o que significa um forte contributo público para a inversão do ciclo que foi caracterizado pela influência da presença externa na nossa política económica nacional e regional.

Queremos fazer da Região Autónoma da Madeira a terra da felicidade, para quem aqui habita e para todos.



Categoria: Em Foco

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