BORDALLO PINHEIRO

10 de Março de 2015

262PERSONALIDADE RELEVANTE

Artista inovador, Rafael Bordallo Pinheiro não é apenas o criador do “Zé Povinho”. Atualmente, no que à cerâmica diz respeito, um novo impulso para a sua contemporaneidade chegou pela mão da Visabeira.

Rafael Bordallo Pinheiro nasceu numa família de artistas (o pintor Columbano Bordallo Pinheiro era seu irmão) e, apesar de morrer relativamente novo – com 58 anos – teve oportunidade de experimentar muitas áreas. Além da obra gráfica e da cerâmica, fez teatro, foi professor, jornalista, revelando-se em cada domínio um homem à frente do seu tempo. Por tudo isto, foi uma das personalidades mais relevantes da cultura portuguesa oitocentista, com uma produção notável, designadamente nas áreas do desenho humorístico, da caricatura e da criação cerâmica. Da frescura que representou (e representa) a sua obra gráfica, dão testemunho dezenas de livros e publicações, onde ilustrações, aguarelas e desenhos vários, mas também caricaturas de estilo muito próprio, revelam a reconhecida genialidade do seu traço. No que à cerâmica diz respeito, um novo impulso para a sua contemporaneidade chegou pela mão da Visabeira, quando em 2009 o grupo comprou a Fábrica Bordallo Pinheiro, evitando assim o seu encerramento. Os velhos moldes e fornos foram colocados ao serviço de novos mercados, com a preocupação de modernizar o produto. E foi isso mesmo que aconteceu. Uma exposição de Bordallo chegou ao MoMa, em Nova Iorque. E o plano de revitalização incluiu até um desafio a vários artistas plásticos, que foram convidados a reinterpretar algumas peças tradicionais (Henrique Cayatte e Joana Vasconcelos, por exemplo), o que foi de alguma forma repetido em 2011, com um convite semelhante endereçado a artistas plásticos brasileiros, como Vik Muniz ou Tunga.

A fábrica de faianças051

Na fábrica de Rafael Bordallo Pinheiro foram criados centenas de modelos cerâmicos de criatividade ímpar, que se basearam nas tradições locais, nomeadamente na olaria caldense, adotando a fauna e a flora como inspiração decorativa. A sua produção cerâmica, especialmente pela qualidade artística, ganhou grande projeção e transformou-se num polo de atracão nacional e internacional. Rafael Bordallo Pinheiro, com a ajuda da sua equipa de operários, produziu obras arrojadas, quer pelas dimensões, quer pela delicadeza dos pormenores. A Jarra Beethoven, que ultrapassa os 2,60 metros de altura, é um símbolo da exuberância e do talento do artista e encontra-se no Museu Nacional de Belas-Artes do Rio de Janeiro. Na produção de Bordallo Pinheiro também se podem encontrar as linhas mais quotidianas, procurando responder a um mercado em constante evolução. O legado de Rafael Bordallo Pinheiro é inspirador e apresenta-se também como um desafio a muitos artistas plásticos contemporâneos. Na grandeza da sua obra, muitos encontram um ponto de partida para um trajeto plástico com linguagem de modernidade. Rafal surpreende com a atualidade dos seus conteúdos poéticos de origem ecológica, política e social.

173Loiças Bordallo Pinheiro voltam para a mesa

Intensifica-se o entusiasmo pelas criações de Rafael Bordallo Pinheiro. Com mais durabilidade e resistência, os modelos produzidos hoje em dia na Faianças Bordallo Pinheiro fazem parte da cultura coletiva portuguesa, mas também da memória individual de cada um. Quem não se recorda das famosas couves verdes no centro da mesa? E que dizer das laranjas por onde caía chá quente? Estas são peças que estão a ser redescobertas por novas gerações e que estão a captar o interesse dos artistas atuais, como é o caso de Joana Vasconcelos, Fernando Brízio, Henrique Cayatte, Susanne Themlitz, Bela Silva, Catarina Pestana e Elsa Rebelo. Este é um legado que sai da prateleira, para as mesas e cozinhas. E se o seu objetivo não é ser trendy ou estar moda, partilhe, apenas, com os mais novos esta experiência de ter cerâmica memorável na sua casa.



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