GISELLE

11 de Maio de 2015

IMG_0707@RicardoBritoMUNDO ONÍRICO

A história do bailado Giselle responde na perfeição ao gosto da época pelo fantástico, pelo irreal e pelas emoções fortes, que caracterizam a sociedade pós-revolucionária. A oposição entre o universo realista, terrestre, e um mundo onírico, povoado de espíritos femininos, estrutura todo o bailado. Aqui, só as mulheres sofrem a metamorfose em seres alados e misteriosos, portadores de um magnetismo inquietante. A Companhia Nacional de Bailado leva ao palco do Teatro Camões este magnífico bailado romântico.

Em 1827, com a estreia de Maria Taglioni no papel titular de La Sylphide, inicia-se a era romântica da dança. O Romantismo, de certa maneira, a corrente de contrarresposta à Revolução Industrial, confere à emoção o lugar central, cuja figuração se encontra amplamente representada em naturezas indomáveis, presente nas telas de Casper David Friedrich, ou como algo de sobrenatural e de oculto, tão evidente na poesia de Edgar Allan Poe. Mas o Romantismo foi também a revolta contra uma aristocracia dominante e rebuscada, cujo oposto foi encontrado ao glorificar a simplicidade e a pureza da vida campestre. É por esta razão que Giselle é o bailado romântico mais que perfeito. O primeiro ato narra como a inocência campestre pode ser vítima de uma aristocracia traidora e calculista; o segundo ato, dito o ato branco, desenrola-se num ambiente sobrenatural onde a mulher etérea surge dividida entre a vingança e a redenção. O uso da técnica de pontas, ainda muito rudimentar naquela altura, vinha ao encontro da ideia romântica de elevação representada por seres esvoaçantes e imponderáveis, fazendo da dança um veículo privilegiado do Romantismo. Possivelmente em nenhuma outra altura a dança foi tão sinónimo de espetáculo total.

Desenrolar da históriaIMGL6702@RodrigodeSouza

A história de Giselle tem lugar numa pequena aldeia do Reno, frente à casa de Giselle em tempo de vindimas. Albrecht, duque da Silésia, adota o nome de Loys e disfarça-se de aldeão para assim poder cortejar a bela Giselle. Albrecht sonha com uma vida feliz, livre e emancipada das convenções sociais, um sonho que não pode ver realizado junto da sua noiva altiva e nobre, Batilde. Entretanto Hilarion, o seu guarda de caça, igualmente apaixonado por Giselle, descobre a verdadeira identidade do príncipe e denuncia-o. Giselle, que acaba de descobrir a existência de Batilde, não resiste ao duro choque e enlouquece acabando por morrer. O segundo ato desenrola-se numa floresta durante a noite. As wilis, fantasmas das jovens noivas mortas antes do seu casamento, expulsam qualquer presença masculina no seu reino através do medo. Os homens que se atreverem a enfrentá-las serão forçados por estes espíritos a dançarem até à morte. Apenas a aurora de um novo dia os pode salvar, impedindo que este ritual se cumpra. Giselle é iniciada neste ritual por Mirta, rainha das wilis. A primeira vítima é Hilarion e a segunda será Albrecht. Giselle apela a Mirta para que Albrecht não morra, mas esta mostra-se irredutível. Albrecht acaba por ser poupado e salvo pelo nascer do dia, que dita o recolher das wilis às suas campas. Giselle retorna à sua tumba e lança um último adeus ao seu amado.



Categoria: Agenda

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